Carta ao Leitor
A lição de casa e o futuro
Os editores

Se o Brasil não cresceu, nos últimos anos, no ritmo dos países emergentes, o mesmo não se verificou no mercado acionário brasileiro, cujo desempenho foi muito favorável e superou as médias mundiais. Esse comportamento não se explica apenas pelas condições propícias presentes na economia mundial, mas porque, internamente, a lição de casa do mercado de capitais foi feita.

Entre 2003 e 2006, o PIB mundial avançou entre 4,1% e 5,3% ao ano e o dos países ricos, entre 1,9% e 3,2% – números excepcionais que apoiaram o crescimento dos emergentes, entre 6,7% e 7,7% ao ano. O Hemisfério Ocidental (América Latina e Caribe) cresceu menos, entre 2,2% e 5,7%, mas teve o melhor resultado em décadas. Tal é o pano de fundo que justifica o fortalecimento dos mercados. E as perspectivas continuam favoráveis porque o mundo, em 2007, deverá crescer acima de 4%, adicionando cerca de US$ 2 trilhões ao PIB global.

No Brasil, aos avanços institucionais (abertura ao exterior, FGTS em ações, tratamento tributário justo) se somou a melhora da conjuntura. O ritmo dos negócios foi ditado por papéis de companhias que lucraram mais, melhoraram seus padrões de governança corporativa e podem se capitalizar, atraindo investidores internos e externos para emissões novas.

O ambiente é favorável às ações – não só porque os juros caem, mas porque investidores de todos os portes se sentem atraídos pelo mercado. Iniciativas como o programa de popularização rendem frutos. Por exemplo, o Desafio Bovespa atraiu centenas de estudantes para a Rua XV de Novembro, sede da Bolsa. Comprovou-se que os jovens, seus pais e professores tomam gosto pelas ações, ao mesmo tempo que investidores institucionais reforçam aplicações no mercado e os maiores bancos do País recomendam que seus clientes comprem ações – e este é um fato inédito na história.

Na agenda de 2007 está a abertura do capital e a desmutualização da Bolsa, caminho já percorrido pela maioria das bolsas mundiais e que deverá atrair mais intermediários e investidores. O futuro afigura-se promissor.

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