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A corretora Pax, tradicional instituição com sede em Fortaleza, acaba de se associar à Bovespa, onde foi admitida em 9 de janeiro. Ela construiu uma história bem-sucedida em três décadas de vida na bolsa regional do Ceará, que se autodissolveu. Fundada em 1975 e adquirida pelo empresário Deusmar Queiroz em 1977, a Pax sempre teve no mercado de ações o foco principal de seus negócios. Foi, inicialmente, uma das principais intermediárias de recursos de incentivos fiscais captados para o Finor e para o Finam, tendo participado de todos os leilões desses fundos realizados nos anos 70 e 80. Mais recentemente, reforçou sua aposta no segmento acionário, interrompendo ou deixando em segundo plano outras atividades próprias das corretoras, relacionadas ao mercado de câmbio e à renda fixa. “Agora, com a queda dos juros, os clientes procuram ações e queremos atendê-los”, observa o diretor executivo Geraldo Gadelha Filho, mestre em Finanças pela FGV-SP e advogado pela PUC de Fortaleza, que também preside a Apimec-Nordeste.
A Pax tem uma situação privilegiada. É parte do grupo Pague Menos, uma rede com 150 farmácias e presença em 27 Estados, com faturamento anual na casa de R$ 1 bilhão. E o sócio controlador, Deusmar, um economista formado nos Estados Unidos, é originário do mercado de capitais. “Acredito numa expansão firme do mercado de capitais nos próximos anos”, afirma Deusmar. Entre os planos do grupo está a abertura do capital da rede Pague Menos, até 2010. Em fins de janeiro, a Pague Menos foi um dos empreendimentos cearenses visitado por um grupo da Bovespa especializado na abertura de empresas.
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| Deusmar Queiroz (à esq.) e Geraldo Gadelha |
| A corretora Pax de olho na renda variável |
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O Ceará, na visão de Gadelha, é um Estado que oferece grandes oportunidades. Em fase de diversificação econômica, já não depende apenas dos produtos tradicionais de exportação – como a lagosta e a castanha de caju –, mas também vende no exterior tambores de freio, flores e frutas, em geral, destinados ao mercado europeu. A modernização empurra a economia para novos caminhos, como o da produção de biodiesel, fruto do trabalho de um pesquisador cearense, Expedito Parente. Companhias de grande porte, como a Grendene, mudaram-se para o Estado, onde novas companhias chegam ao mercado de capitais, como a M. Dias Branco, líder no mercado de biscoitos e massas, no Brasil, por volume.
Hoje com 10 funcionários e 200 clientes ativos, a Pax prepara-se para uma expansão sustentada. “Há um grande potencial de clientes profissionais liberais”, acredita Gadelha. Com base em pesquisas que serão feitas junto com a Federação do Comércio do Ceará, a Pax pretende formar equipes, abrir clubes de investimento e triplicar a clientela de investidores. “O programa de popularização do mercado de ações liderado pela Bovespa é um ovo de Colombo capaz de desmistificar o mercado”, afirma.
O programa Bovespa Vai à Praia levou o BovMóvel às praias de Beira Mar e do Futuro, nas horas do Cooper (6h às 9h e 18h às 21h), atraindo enorme interesse. A popularização se torna mais fácil, explica Gadelha, com a melhora da governança das empresas, que preferem abrir o capital no Novo Mercado e nos níveis 1 e 2 de governança corporativa da Bovespa.
Está em curso, portanto, um processo de evolução qualitativa e quantitativa do mercado, que justifica, segundo o diretor da Pax, a ampliação dos espaços físicos da corretora e a abertura de salas de operação para os clientes. Com a admissão na Bovespa, “a corretora estará presente num mercado que é referência de ética e solidez, um centro de liquidez baseado em mecanismos sólidos de regulação”. As corretoras “que são admitidas se beneficiam com a credibilidade da Bovespa”. E os investidores, sobretudo os mais jovens, podem se aproximar do mercado acionário, “pois estão interessados na diversificação do seu patrimônio, estimulados pelo êxito das aplicações em ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce de recursos dos trabalhadores no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço”. |