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Máquinas ampliam espaço na Bolsa
Theo Carnier

Considerado termômetro do desempenho econômico e do investimento, o setor de máquinas e equipamentos projeta para o final de 2007 crescimento de 3,4% da produção, de 0,7% do faturamento e de 1,1% do número de empregos. São perspectivas animadoras após o avanço de 4% em 2006, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acima da média geral da indústria (2,8%). O setor cresce há sete semestres consecutivos e, nos cinco últimos trimestes, seu ritmo supera a média da indústria.

Os empresários do segmento esperam que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro, propicie elevação do ritmo de negócios. O faturamento anual, na casa dos R$ 50 bilhões, assegura participação de 2,5% no PIB e o quinto lugar no ranking mundial do setor, liderado pela China.

Como se trata de uma indústria de capital intensivo, mais empresas do setor têm recorrido ao mercado de capitais. A Lupatech, maior fabricante de válvulas industriais no setor de petróleo e gás, fez um bem-sucedido lançamento de ações e entrou no Novo Mercado da Bovespa em maio do ano passado; a Romi, tradicional fabricante de compressores, engrenagens e máquinas injetoras, preparava-se, em fevereiro, para ingressar no Novo Mercado, mediante a transformação de todas as suas ações preferenciais em ordinárias e fazendo uma oferta de papéis para elevar seu capital.

Outras companhias com presença tradicional na Bolsa aumentam sua exposição junto ao investidor pessoa física, como a Weg, líder em motores elétricos, geradores e transformadores e grande exportadora.

Além de transparência, a indústria oferece rentabilidade aos investidores. Em 2006, os papéis do setor estiveram entre os líderes por rentabilidade, superando em 50% o índice médio de valorização das ações.

Mas as ações das empresas do setor ainda não ocupam, no mercado, um lugar proporcional ao que tem na economia. “É uma questão de percepção”, afirma Adriano Blanaro, chefe de analistas da Link Corretora. Blanaro explica: “Máquinas e equipamentos não estão sob os holofotes da mídia e por isso nem sempre são lembrados pelo mercado. Trata-se de um setor sem tanto apelo em relação à imagem, que por isso às vezes passa desapercebido. E como depende do ritmo de crescimento da economia, que não tem sido animador, ficou em segundo plano nos últimos anos. Mas é um erro esquecê-lo, pois reúne empresas fortes, ações que dão retorno e, em muitos casos, são exemplos do que há de melhor em gestão”.

Exposição em Bolsa – O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Lupatech, Thiago Alonso de Oliveira, enfatiza a receptividade do investidor aos papéis da companhia: “Atuamos em um segmento sem muita exposição, mas tivemos demanda vinte vezes superior à oferta no lançamento de ações”. Ele acrescenta: “A preparação para a operação demorou seis meses, mas valeu a pena: captamos R$ 452 milhões e pudemos, com os recursos, fortalecer nosso plano de expansão orgânica e por aquisições”.

Listada no nível 1 de governança corporativa da Bovespa e presente nos pregões há 30 anos, a Weg trata o mercado de capitais como fundamental. O gerente de Relações com Investidores, Luis Fernando Moran de Oliveira, observa: “A Weg é uma empresa capitalizada, que investe em expansão e tecnologia principalmente com capital próprio. Mas a Bovespa tem importância vital para nossos negócios porque nos dá visibilidade, reforça a disciplina no cuidado com os números da companhia e abre opções para o futuro em caso de necessidade de capital, item prioritário para uma companhia em constante expansão”.

Edgard Pereira, do Iedi
Crescimento foi satisfatório, mas heterogêneo

A Weg constata crescente preocupação dos investidores com a transparência e a importância dos resultados positivos para se fortalecer no mercado de capitais. A apreensão é com o crescimento da economia: “Nosso segmento depende do ritmo do PIB”, diz Oliveira. Esta é uma preocupação generalizada, apesar do predomínio dos prognósticos favoráveis para 2007.

Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), nota que o setor tem apresentado desempenho positivo, mas instável: “Os dados do IBGE mostram que o setor de bens de capital teve crescimento de produção de 6% em 12 meses, até novembro do ano passado, o dobro do ritmo do PIB. É um índice animador, mas o crescimento é heterogêneo: em máquinas e equipamentos, o segmento agrícola teve recuo de 19%, enquanto o de energia elétrica, que inclui transformadores e geradores, entre outros, cresceu 27%. O ideal seria uma evolução mais homogênea, para dar maior segurança ao setor”.

O setor tem respondido rapidamente às demandas da indústria, mesmo as menos tradicionais. Estudo do IBGE mostrou que os investimentos do setor industrial em controle ambiental cresceram 83,9% em cinco anos e que, no período, a compra de máquinas e equipamentos para reduzir o efeito da poluição e tratar dos resíduos quase dobrou, de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,1 bilhões.

Questão de concorrência – Os empresários têm expectativas moderadamente favoráveis em relação ao comportamento do setor este ano. A Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os fabricantes de máquinas e equipamentos são otimistas em relação ao faturamento e à exportação, mas temerosos quanto ao aumento da produção, aos estoques e à lucratividade.

Uma das maiores preocupações é a concorrência dos importados, assinala Pereira: “O comércio exterior é um ponto importante, principalmente com a atual situação do câmbio, tanto para importação quanto para exportação”.

No setor, 80% das empresas são de capital nacional, 60% são de pequeno porte e há muita dependência das exportações, reforça Newton de Mello, presidente da Abimaq, a associação dos fabricantes de máquinas e equipamentos. “A política cambial é um sério entrave”, diz ele, explicando: “Conseguimos, apesar do câmbio desfavorável, ter crescimento de 12% nas exportações (que têm nível médio de R$ 20 bilhões ao ano). Mas isto exigiu esforço extra das empresas. E tivemos crescimento de 14% das importações”.

Com os produtos importados mais baratos, há um desestímulo à produção local. Por isso, a Abimaq defende medidas para atenuar os efeitos do câmbio valorizado, como o desestímulo à compra de títulos públicos e o aumento da tarifa de importação de bens de consumo. Confia em que, com essa ajuda, o governo contribuirá para a elevação do nível de investimentos no País, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo, em que máquinas e equipamentos têm um peso de 40%.

Expansão na mira – O setor investe em expansão, contando com o mercado de capitais e com recursos do BNDES. “Além de capital próprio, temos a Bovespa e o BNDES para nos apoiar”, lembra Luis Fernando de Oliveira, da Weg.

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Cláudio Leal, chefe do Departamento de Máquinas e Equipamentos do BNDES, nota que nas linhas destinadas especificamente à aquisição de máquinas e equipamentos, os recursos somaram R$ 1,9 bilhão, em 2006, e devem crescer 13,6%, neste ano. Leal afirma: “Janeiro foi um mês aquecido, ao contrário do que costuma acontecer, abrindo perspectivas otimistas para todo o ano.

No mercado de capitais, as perspectivas são ainda mais otimistas. “Quando precisarmos de mais recursos, vamos considerar o mercado de capitais”, afirma Oliveira, da Lupatech. Cumprida a tarefa inicial de explicar aos investidores o que é a empresa e os produtos que fabrica, os resultados aparecem, segundo Oliveira: “Empresa e acionistas estão satisfeitos e é preciso lembrar que o mercado ofereceu excelente receptividade à Lupatech. Obtivemos valorização superior a 60% de nossas ações desde o lançamento, mas o mais importante é ter o mercado de capitais como fonte de recursos para apoiar o crescimento futuro da companhia”.

Também de olho no mercado, a Weg atua para aumentar a liquidez das ações. “O número de negócios com nossos papéis tem crescido, além do volume total, principalmente depois da oferta pública que fizemos em setembro de 2004”, recorda Oliveira. O próximo passo, revela, será aumentar a participação do investidor pessoa física na Weg. “Essa é uma de nossas prioridades, já que o acionista pessoa física tende a ficar por longo prazo com os papéis da companhia”. Para alcançar o objetivo, a empresa trata esses investidores com atenção diferenciada. “Aprimoramos o site de Relações com Investidores, além de ampliar a base de dados e e-mails e de ampliar nossa exposição em novas praças além de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Já temos cerca de 260 mil investidores pessoas físicas na companhia e queremos deixá-los cada vez mais informados e, dessa forma, confortáveis para a tomada de decisão de investimento. Não é uma tarefa fácil em um setor como o de máquinas e equipamentos, mas trata-se de um esforço estratégico da Weg”.

A comunicação com o investidor pessoa física implicou mudar a linguagem do relacionamento, evitar jargões e explicar os riscos envolvidos. Um tablóide de quatro páginas passou a ser enviado para os acionistas pessoas físicas junto com a divulgação dos resultados trimestrais. Os investidores querem conhecer bem o negócio onde aplicam. A iniciativa faz parte do esforço do setor para ganhar espaço na Bovespa. “Trata-se de uma área que tem tudo para aumentar sua presença no mercado”, diz Oliveira. “O importante é ter empresas fortes e com gestão de ponta. Assim o setor pode se tornar cada vez mais atrativo para o investidor, com ganhos não só para suas aplicações e para as empresas, mas para a economia do País”.

 
Fundos de investimento são opção para infra-estrutura

Um dos pontos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que mais criaram polêmica foi a criação de um fundo de investimentos em infra-estrutura, com utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O PAC prevê que a destinação de R$ 5 bilhões para esse novo tipo de fundo, provocando o protesto de trabalhadores e dúvidas de economistas.

Anunciado o plano, o secretário-executivo do Conselho Curador do FGTS, Paulo Furtado, acredita que o fundo não trará prejuízos para o trabalhador: “Os recursos virão de recursos excedentes do FGTS, que somam R$ 21 bilhões”. Ele explicou que o fundo de investimento em infra-estrutura deverá adquirir debêntures ou recebíveis de empresas com atuação em setores como energia elétrica, saneamento e rodovias. Depois, será feita uma avaliação pelo conselho curador e só então poderá ser aberta a possibilidade de o trabalhador, por sua iniciativa, participar do investimento, retirando parte do dinheiro da conta vinculada do FGTS e fazendo a aplicação.

Para o economista Antonio Corrêa de Lacerda, da PUC de São Paulo, a proposta é criar uma aplicação remunerada de acordo com a rentabilidade dos projetos escolhidos. Os riscos, lembra, podem ser atenuados pela regulamentação, a transparência e a boa governança na gestão dos recursos, além da oferta de uma garantia mínima.

Os bancos vêem no novo fundo uma oportunidade. Tanto que lançaram fundos setoriais de ações de empresas ligadas à infra-estrutura, mas sem a utilização do FGTS. Oferecidos ao investidor antes do lançamento do PAC, as instituições financeiras acreditam que o PAC deve dar um impulso extra às aplicações de empresas nesse setor. Bradesco, Safra e Unibanco foram bancos que já lançaram esses fundos. “As empresas ligadas a infra-estrutura devem ter desempenho acima da média de outras listadas na Bovespa”, afirma Ronaldo Patah, superintendente de renda variável do Unibanco Asset Management. (T.C.)

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