Histórias de Bolsa
O futuro chegou
 

As crises do mercado acionário, em 1971, e do open market, em 1975, impuseram a concentração das instituições, ao longo da década de 70. Dezenas de corretoras tiveram de encerrar as atividades, com apoio da Bolsa e do Banco Central. Oito empresas de corretagem se agruparam para constituir, em 1975, a Bueno, Vieira, Pereira Lopes&Associados, dirigida por Manoel Octávio Penna Pereira Lopes, que presidiu a Bolsa de Valores de São Paulo entre 1997 e 1979. Na época, participavam da mesa da corretora personagens conhecidos como Jorge Carioba, Estevam Almeida Prado, José Roberto Bueno, Antonio José Gouveia de Oliveira (o Geléia) e Frederico Assunção – além de Fernando Luiz Cardoso Bueno. Eles constituíam um dos inúmeros grupos de especialistas que sonhavam em construir e participar de um grande mercado, capaz de capitalizar as empresas e disseminar a propriedade acionária.

Eram tempos bem diferentes dos atuais. Havia enormes oportunidades e facilidades para abrir e fechar empresas. Fernando, advogado formado em 1966 pela São Francisco, já havia constituído com a família Battistella uma companhia de crédito, financiamento e investimentos, em 1964. No início dos anos 70, comprou a corretora Boa Vista, que passou a se chamar Santa Fé e se associou à Bandeirantes. Com a ampliação e o ingresso de novos sócios, surgiram clientes novos. É dessa época o início do mercado de ouro no Brasil, com a suíça Degussa. A negociação de “ouro amoedado” estava prevista nos atos de constituição da Bolsa do Rio, de 1845.

Três décadas atrás, o mercado de ações era pequeno e dominado por megaespeculadores. Passou então por longo processo de depuração, até o final dos anos 80.Com a internacionalização, houve vigoroso crescimento do mercado.

Em 1981, a antiga corretora Santa Fé assumiu a feição atual, como gestora de recursos. Em 1983, passou a formar clubes de investimento, para uma centena de pessoas físicas relacionadas com os sócios. Enfrentou fases difíceis, mas, hoje, “felizmente, o futuro chegou”, afirma Fernando Bueno, acrescentando: “O sonho de 30 anos atrás se torna realidade. Estamos no limiar de uma nova fase completamente diferente da vivida até aqui. O volume de novas emissões, os IPOs, comprova que o mercado começa a desempenhar a função dele esperada”.

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