Prêmio
Um celeiro de empresas
Theo Carnier

Um caminho para aproximar as companhias do mercado de capitais

O crescente ingresso de empresas na Bolsa exige uma constante garimpagem de boas companhias em todo o País. No Ceará, isso se tornou mais fácil com o Prêmio Delmiro Gouveia, iniciativa da Bovespa e do jornal O Povo, com o apoio do Conselho Regional de Contabilidade-CE, a colaboração do Sebrae e patrocínios da Federação das Indústrias do Estado do Ceará e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). São premiadas, a cada ano, dezenas de companhias que, por seu compromisso com acionistas e com a transparência, estão aptas a se destacar entre as que merecem a atenção dos investidores do País.

O prêmio anual, que já está em sua sexta edição, é cobiçado entre as empresas do Ceará devido aos critérios de seleção. “Os premiados conseguem destaque”, afirma Raimundo Padilha, ex-presidente da Bolsa de Valores Regional e um dos idealizadores da premiação. “Depois de passar pelo crivo rigoroso, as empresas ficam em condição de, se quiserem, atrair underwriters e expandir seus negócios”, afirma.

Com a experiência da época em que presidiu a Bolsa de Valores Regional, Padilha sentiu a necessidade de criar um prêmio que reconhecesse as melhores e maiores empresas do Ceará, dentro de normas reconhecidas em todo o País. “Recorremos a professores universitários cearenses e de outros Estados e contamos com o apoio dos contabilistas”, lembra. E a cada ano são adotadas novas técnicas na metodologia de análise e premiação, para aumentar a precisão e o rigor técnico das avaliações.

Assim, o Prêmio Delmiro Gouveia ganha importância a cada edição. Dele participaram 250 empresas, em 2006. A premiação tem cinco categorias: maiores empresas; melhores por desempenho econômico-financeiro; melhores por desempenho social; Destaque Sebrae, para as pequenas e médias companhias; e também são agraciados os contabilistas responsáveis pelos balanços de melhor apresentação e mais transparência.

Em honra do pioneiro
Centenas de empresas disputam o prêmio mais cobiçado

Paulo Aldrighi, gerente regional da Bovespa no Ceará, explica que a escolha das dez maiores empresas do Ceará é feita por uma “cesta de indicadores de grandeza” – itens que vão do faturamento, pagamento de tributos e patrimônio líquido, até a quantidade de empregados. Para as melhores por desempenho econômico-financeiro, avaliadas por índices como o nível de endividamento e a geração de caixa, foram criadas duas divisões: cinco empresas que faturam acima de R$ 60 milhões por ano e cinco com faturamento anual inferior a R$ 60 milhões.

Segundo Padilha, a premiação das melhores empresas por desempenho social passou a ser feita depois que os organizadores pesquisaram modelos brasileiros e internacionais de balanço social, que serviram como base para estabelecer os critérios de escolha das empresas. Também nessa categoria há dois grupos, tendo como base o faturamento anual das companhias, no mesmo nível das melhores por desempenho econômico-financeiro.

O Destaque Sebrae premia as microempresas que se destacam de acordo com dados do Sebrae, enviados aos organizadores do prêmio, responsáveis pelo cruzamento dos números e pela escolha final. Os contabilistas são premiados segundo normas do Conselho Regional de Contabilidade-CE.

“O critério é escolher o conjunto de empresas que apresentam melhores resultados, sem levar em conta o setor econômico”, explica o ex-presidente da bolsa regional. Padilha afirma: “O resultado é que temos um prêmio de prestígio cada vez maior, conhecido entre outubro e novembro de cada ano. As 100 maiores empresas que entram na disputa têm suas informações divulgadas em uma publicação encartada no jornal O Povo. Criamos, assim, um banco de dados importante como base para conhecer de perto as empresas e importante também para as companhias, com vistas a aumentar seu prestígio e até facilitar a obtenção de recursos para sua expansão”.

O objetivo, agora, é buscar expandir o Prêmio Delmiro Gouveia para outros Estados. “Dessa forma, poderemos colaborar para aumentar o número de empresas com elevado nível de governança listadas na Bovespa”, afirma Padilha.

Lembrando o empreendedor – A idéia de premiar as melhores e maiores empresas do Ceará surgiu há cerca de 20 anos, numa iniciativa do jornal O Povo e da revista Visão, que não é mais editada. As companhias eram escolhidas por setor de atuação e logo se sentiu a necessidade de aprimorar os critérios técnicos de avaliação. Padilha e o então superintendente da Bolsa de Valores Regional, Pedro Brito, selecionaram técnicos e professores universitários e chegaram às normas que passaram a vigorar em 2001, com aperfeiçoamentos a cada ano.

Uma das dificuldades iniciais foi definir o nome do prêmio. “Pensamos a princípio no Barão de Mauá, mas já existia uma premiação com esse nome. Era preciso escolher o nome de um nordestino que tivesse marcado forte presença no empreendedorismo. Pesquisamos e chegamos a Delmiro Gouveia, que é cearense e foi um dos maiores empreendedores do País.

Delmiro Gouveia, um bem-sucedido comerciante de couros e peles, nasceu em 1863 e foi considerado um dos pioneiros da industrialização do Nordeste. Proprietário de fazenda com água abundante e cachoeira, decidiu construir uma grande hidrelétrica. Importou equipamentos e, em 1911, trouxe um grupo de engenheiros norte-americanos para fazer o aproveitamento do Rio São Francisco, dando origem à Hidrelétrica de Paulo Afonso. “Foi uma ousadia bem-sucedida, que se somou à liderança que Gouveia tinha no mercado doméstico e na exportação de couro”, lembra Padilha. “Ele sofreu alguns reveses, passou a viver no exterior, mas voltou ao Brasil e montou uma indústria de linhas para tecer, que teve rápido crescimento e passou a concorrer com a Machine Cotton, poderosa empresa norte-americana da época. Portanto, foi um empreendedor marcante, e por isso demos o nome dele ao prêmio.”

Com um nome forte e critérios rigorosos de avaliação, o Prêmio Delmiro Gouveia foi ganhando importância, baseado na alta credibilidade. O prêmio ajuda a mostrar empresas fortes, transparentes e com compromisso social – ou seja, elas atendem aos principais critérios que as credenciam a ter papéis negociados na Bovespa e a atrair a atenção dos investidores.
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