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A corretora Alpes nasceu da experiência acumulada em mercado de capitais, no Brasil e no exterior, de seus dois sócios - o administrador de empresas pela Faculdade Anhembi Reginaldo Alves dos Santos e o engenheiro pela Universidade do Texas Cláudio Honigman. Reginaldo começou a atuar no mercado de capitais em 1976, esteve na Lara Corretora, na Socopa e, por duas vezes, na Indusval, onde ao todo ficou 15 anos. "Lá se aprendia muito com o Luiz (Luiz Mazagão, um dos introdutores dos mercados futuros de commodities e de ações, no País)." Aproveitou fases em que o mercado estava ruim para adquirir cartas-patentes para poder atuar na BM&F e na Bovespa e, em 2000, "a casa - a corretora Alpes - já estava montada". Cláudio começou no Banco Pactual, em 1988, foi em 1990 para o Banco Bear, Stearns, nos Estados Unidos, e oito anos depois regressou ao Brasil, passando pela Ágora Corretora antes de se associar à Alpes, em 2005. Para atuar na corretora, diz ele, "o que mais importa é o relacionamento com os grandes bancos estrangeiros, como executor de ordens, que é o nosso business principal".
A Alpes é um caso de empresa independente num mercado cada vez mais concentrado e no qual é preciso competir com gigantescas instituições financeiras, brasileiras e estrangeiras. Mas, enfatiza Reginaldo, "acredito que ainda há espaço para uma corretora independente na Bolsa".
Os focos de atuação da Alpes estão em dois extremos: o mercado de grandes clientes corporativos e o mercado de varejo. Na empresa, os dois segmentos estão fisicamente separados, um deles na Avenida Paulista, onde está a diretoria - Reginaldo e Cláudio, por exemplo, trabalham numa única sala -, o back-office e o centro administrativo, e o outro na Joaquim Floriano, no Itaim, onde se localiza a área de varejo, a operação de Home Broker. "É uma espécie de Chinese Wall" (muralha da China, para separar clientes que, em tese, teriam interesses conflitantes), nota Reginaldo.
Atuando nos dois mercados, a Alpes usa a alavancagem propiciada pelas grandes operações para investir no futuro. "Há 300 mil ou 400 mil CPFs (investidores) no mercado acionário, mas este é um número muito inferior ao que projetamos para os próximos anos", afirma Cláudio. O potencial de clientes é grande, pois a Alpes trabalha com um dado básico: há cerca de 7 milhões de brasileiros com renda mensal superior a 20 salários mínimos (R$ 7.600,00, neste trimestre), dos quais apenas 5% já são investidores em bolsa. "Para ter ações, não é preciso ser milionário, aplicar não é um bicho-de-sete-cabeças, é algo que você pode fazer pela internet". Para oferecer uma alternativa a fundos que concentram suas operações em títulos de poucas empresas e cobram taxa de administração de até 3% ao ano, a Alpes passou a cobrar um custo fixo entre R$ 5, no mercado fracionário, e R$ 20, por lote-padrão, para seus clientes no Home Broker.
Com patrimônio líquido de R$ 30 milhões, um quadro de 170 funcionários e localizada em três pontos - dois em São Paulo e uma filial no Rio - a Alpes obtém 60% de suas receitas na Bovespa e 40% na BM&F, em números redondos. "As receitas estão muito ligadas, pois é comum vender ações, comprar renda fixa e vender um DI de juros, por exemplo", nota Reginaldo. "As operações de Bovespa e BM&F estão ligadas". Mas é no Home Broker que a Alpes tem mais clientes. Em um ano e meio de atuação nessa modalidade do varejo de ações, arregimentou 25 mil clientes. Gere mais de 50 clubes de investimento, cada qual com 5 a 50 participantes, administrando um patrimônio superior a R$ 200 milhões. "Temos uma estratégia de longo prazo e vamos investir, promovemos encontros em empresas e universidades, dentro e fora da capital, contratamos palestrantes para falar do mercado de capitais", acrescenta Reginaldo.
A popularização é o caminho natural do mercado, enfatizam os diretores da Alpes. "É importante o discurso de que a Bolsa não é complicada e que qualquer um pode comprar e vender ações", concordam Reginaldo e Cláudio. Na carteira de um investidor devem estar ações, bem como renda fixa, bonds (títulos), caderneta de poupança. "E o mercado em alta como ocorreu nos últimos anos estimula a entrada de novos investidores", enfatiza Reginaldo, ele próprio confiante no fortalecimento do mercado acionário brasileiro. "É um momento favorável para entrar em Bolsa", acredita ele, depois dos solavancos dos últimos meses em decorrência da crise do mercado imobiliário nos Estados Unidos. (F.P.J.) |
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BVS
Avanço no Pacto Global da ONU
Como signatária do Pacto Global, iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para promover o crescimento sustentado da economia mundial e a inclusão social, a Bovespa apresentou o COP 2007 (Communication On Progress). O documento relata os avanços da companhia em relação aos dez princípios do Pacto, relacionados aos direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
Entre as atividades promovidas em 2007 destaca-se os resultados obtidos pela Bolsa de Valores Sociais e Ambientais (BVS&A), que captou R$ 8,7 milhões (base 29/1/2008) computado desde a sua criação em junho de 2003. Desse total negociado, R$ 3,9 milhões somente no ano passado. Esse valor contribuiu para a conclusão de 36 projetos de ONGs brasileiras, voltados para educação e preservação do meio ambiente. No total, desde o início, foram concluídos 100% dos objetivos de captação de recursos de 70 projetos.
Segundo a coordenadora de Responsabilidade Social da Bovespa, Sônia Bruck, levando em conta o período de existência da BVS&A, os projetos ficam em média 17 meses no índice, cujo espaço está dividido entre dois terços para a área social e um terço para a área ambiental. "Nos primeiros anos, esse tempo era maior", diz ela, acrescentando: "A demanda é crescente. Já recebemos mais de mil projetos", argumenta.
A especialista esclarece que o perfil dos doadores acompanha uma pré-disposição para a situação replicada em algum componente da família. "As doações também costumam ser regionais, com cada um preferindo manter o investimento social, em geral, no seu estado de moradia."
Sônia também comemora o efeito multiplicador da BVS&A, recém-convidada para participar da rede internacional Online Social Marketplaces (OSM). O órgão conta com a colaboração da Fundação Omydiar, que se propôs a financiar três encontros anuais (2007 a 2009), para que essa rede se estabeleça e se consolide. "Mas ainda temos muito o que fazer para estimular as doações, como ampliar as ações de marketing e aperfeiçoar o processo de acompanhamento dos novos relatórios e a prestação de conta das ONGs." (R.S.) |