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A Petrobras ganha espaço no ranking
Jorge Wahl

Por décadas, a indústria mundial de petróleo foi dominada pelas "sete irmãs", expressão que traduzia um respeito quase reverencial pelas petroleiras dominantes. Mas com o crescimento das companhias de petróleo estatais, o ranking mudou. A Petrochina ocupava a 3a colocação em 2006 e hoje chegou ao 1o lugar pelo critério do valor de mercado (market capitalization), deslocando para o 2o lugar a antiga líder, a Exxon Mobil, seguindo-se a russa Gazprom. Na lista das mais poderosas - que não leva em conta as companhias de capital fechado, muitas delas no Oriente Médio -, a britânica BP e a francesa Total caíram, respectivamente, do 5º e do 6º lugares para o 7º e 8º lugares, enquanto a Petrobras, que era a 11ª colocada, subiu para o 6º posto.

Companhias petrolíferas do bloco dos Brics - Brasil, Rússia, Índia e China - aumentaram sua participação no mercado, mostrou estudo do banco Goldman Sachs. Há 15 anos, das 20 maiores empresas energéticas por nível de capitalização, 55% eram norte-americanas (hoje são 30%). As originadas nos Brics já têm 35% da capitalização.

A Petrobras - cujas ações valorizaram-se 93% em 2007, atingindo o valor de mercado de R$ 355 bilhões, em fevereiro - reconquistou a primazia na Bovespa, perdida momentaneamente para a Vale, em 2007.

TUPI, UM MARCO - A descoberta do campo de Tupi, divulgada em novembro, explica a reviravolta, pois em todo o mundo faltam novas fontes de abastecimento. "A última grande notícia anterior havia sido a de uma nova reserva de 12 milhões de barris no Cazaquistão, em 2001", lembra Wladimir Pinto, analista da corretora Unibanco. A nova província petrolífera brasileira, situada na camada pré-sal, faz supor que o Brasil esteja prestes a entrar no bloco das nações com as maiores reservas mundiais de óleo e gás. Só em Tupi, a Petrobras identificou um potencial entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris - o que elevaria em mais de 50% as reservas atuais de 14,4 bilhões de barris. E esses números poderão ser ainda maiores, pelas estimativas das sócias da Petrobras no megacampo - a BP (25%) e a Galp (10%), que admitem que haja em Tupi 12 bilhões a 30 bilhões de barris equivalentes. Ainda melhor, em Tupi se espera extrair um óleo mais leve, de alto valor comercial, que chega a 28 graus API - contra os 20 graus API, em média, dos óleos hoje produzidos no País.

Se os melhores prognósticos sobre Tupi se confirmarem, a Petrobras ascenderia ao 5o lugar no raning, tornando-se uma das dez maiores do mundo, incluindo petroleiras de capital fechado.

Segundo o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrela, o plano é implantar um projeto piloto em Tupi para produzir cerca de 100 mil barris/dia, a partir de 2010. Antes das descobertas na faixa do pré-sal, os investimentos planejados pela empresa até 2012 atingiam US$ 112 bilhões no Brasil, além de US$ 12 bilhões, até 2011, no exterior. A América Latina vai receber em torno de US$ 3,4 bilhões, dos quais US$ 2,5 bilhões irão para a Argentina.

JÚPITER NO CAMINHO - Próximo de Tupi, outro poço (Júpiter) teria tamanho igual ou maior, especula-se. Anunciada em janeiro, a nova descoberta ainda não teve sua real dimensão estimada. A Petrobras apenas se "arriscou" a prever ali "uma grande reserva" de gás e óleo ultraleve, abaixo da camada pré-sal, em profundidade de 5.250 metros.

Outras descobertas são esperadas, no futuro, caso se confirme a extensão de 800 km da nova fronteira exploratória, do Espírito Santo a Santa Catarina.

Sergio Gabrielli, da Petrobras

Em Davos, diferença "para melhor"

O Brasil chegaria, num cenário venturoso, ao 8º ou 9º lugar entre os detentores das maiores reservas, mas isso exigiria superar desafios tecnológicos para extrair óleo entre 5 e 7 km. A Petrobras domina a tecnologia de águas profundas, mas em geral trabalha a 2 km. Nunca uma petroleira foi tão longe.

Com poços e províncias com potencial pré-identificado tão favorável, as reservas brasileiras tenderão a ser a fonte de boas notícias para os investidores, segundo analistas do Banco Banif. O Credit Suisse estima um potencial de valorização dos papéis da Petrobras em torno de 35%.

José Francisco Cataldo, do ABN Amro Real, nota que as ações da Petrobras são papéis muito líquidos, que facilitam a entrada e a saída de investidores estrangeiros. A Petrobras já é percebida por eles como uma companhia com bons fundamentos e um player global, ainda que até hoje apresente riscos políticos.

NA OPEP, NÃO - Explica-se, assim, a virulência citada na imprensa sobre os embates para ocupar cargos na estatal e um eventual ingresso do Brasil na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Mas o presidente da Petrobras se encarregou de afastar a hipótese. O Brasil não tem superávit no comércio do petróleo. Se chegar lá, poderá seguir o caminho da Noruega e do Canadá, que não entraram na Opep.

CUSTOS AMEAÇADORES - Com o aumento do preço do barril, os fornecedores ampliam as exigências. Há um gargalo no atendimento das demandas do setor por serviços. A Petrobras terá que esperar até o próximo semestre para levar do Rio para a Bacia de Santos uma plataforma de 28 andares, pois não há navio disponível para fazer o trabalho antes. As margens propiciadas pelos negócios nas áreas de refino e comercialização de combustíveis e da petroquímica estão em queda. E sobem os custos de extração do óleo bruto, como o de brocas de perfuração até sondas para grandes profundidades, tubos flexíveis e especiais sem costura, compressores especiais, além da folha de pessoal - engenheiros e prestadores de serviços de análise sísmica. A oferta afunilou-se tanto que o tempo de espera chegou a triplicar. Um grupo brasileiro, o Schahin, está investindo em duas sondas marítimas, em fase de construção, na China e outra em associação com a Petrobras, na Coréia. Em 2007, a BP teve lucro líquido de US$ 17,3 bilhões, 22% menos do que em 2006. Motivo: despesas maiores na produção e queda de produtividade nas refinarias nos Estados Unidos.

OTIMISMO DOS ANALISTAS - Analistas fazem projeções otimistas para a Petrobras. Em Davos, Gabrielli sentiu a diferença ao passear pelos corredores do palácio de convenções, durante a reunião do Fórum Econômico Mundial. "Agora, a gente recebe mais cumprimentos, o relacionamento mudou", disse ele. A estatal pagou menos pela captação: 5,86% ao ano no lançamento de eurobônus no montante de US$ 750 milhões, em janeiro, abaixo dos 6,059% pagos em outubro de 2007.

As mudanças não são recentes. Com a abertura do mercado, em 1997, a Petrobras teve de fortalecer sua governança e estrutura corporativas. Criou um conselho independente e adotou padrões contábeis internacionais. Hoje tem custos menores do que a Exxon para encontrar petróleo. Isso se deve, em parte, à pressão das concorrentes estrangeiras que ingressaram no País.

A Petrobras é uma companhia internacional habituada a lidar com os mais diversos países, da África aos EUA. Mas ainda depende da Bolívia, um fornecedor instável, para cumprir seus contratos de entrega de gás natural. Nesse produto, a auto-suficiência só está prevista para depois de 2014.
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