Viviane Senna
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| Viviane Senna |
| Royalties da família para a educação |
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O Instituto Ayrton Senna nasceu pouco antes do trágico 1º de maio de 1994, em que o piloto morreu. Ayrton queria criar uma organização sem fins lucrativos e sua irmã, Viviane, já estudava o assunto. Em junho de 1994, a instituição estava funcionando. Ela destina, 100% dos royalties recebidos pela família Senna para projetos de educação, diz Viviane, 50 anos, formada em psicologia, mãe de três filhos. Na época, trabalhava como terapeuta de crianças e adolescentes, carreira que deixou para cuidar do Instituto. Quase 14 anos depois, preside uma ONG bem- sucedida - a segunda maior do País no campo da educação - atrás apenas da Fundação Bradesco -, movimentando R$ 16 milhões por ano. Os recursos vêm da exploração comercial da imagem do piloto, da marca Senninha e da contribuição de empresas como a HP, a Votorantim, a Nokia e outras gigantes. Trabalha em parceria com secretarias da educação em estados como São Paulo, Pernambuco, Tocantins, além de milhares de secretarias municipais espalhadas País afora. "Trabalhamos com lógica empresarial, qualidade, mas ao mesmo tempo escala. O objetivo não é fazer uma boa ação localizada, mas melhorar a educação no País como um todo."
Há muitas carências no País e áreas de atuação para o terceiro setor. Por que escolheu a educação como foco?
A gestão pública no País é em geral de péssima qualidade e na área social não é diferente. Há enorme desperdício de recursos. Mas na educação básica a implicação é mais grave: é o desperdício de um momento crucial do ciclo de vida das crianças. O que elas deixam de receber entre os 7 e os 15 anos dificilmente vão recuperar mais tarde. Quando se está lidando com o futuro de uma criança, eficiência é uma questão de ética.
Qual a diferença entre o Instituto Ayrton Senna e outras ONGs que trabalham com educação?
A maioria das ONGs faz a ação pela ação. É uma creche aqui, uma escola acolá. Não que não tenha mérito. Mas num país com as dimensões do Brasil, é preciso ter escala para ter alguma relevância. Trabalhamos como empresa. O pensamento estratégico é importante: focamos em acompanhamento, monitoramento e resultados. Números indicam se estamos no caminho certo.
Você poderia dar um exemplo?
Com a má qualidade de ensino, a repetência escolar é problema: uma criança demora em média 10,8 anos para concluir um ciclo de oito. Só com a repetência escolar o desperdício supera R$ 10 bilhões por ano. O que é jogado fora na educação é cerca de uma vez e meia o custo do Fome Zero, de R$ 6 bilhões. É um desperdício de mais de 30%. É como se em uma fábrica de geladeiras, três em cada dez não passassem no teste de qualidade. Faz sentido? Uma empresa que funcionasse nesta base quebraria em três meses. Em estados como Tocantins e Pernambuco, obtivemos resultados notáveis com apenas uma fração dessa quantia, significando uma enorme economia para os cofres públicos. O País pôs a maioria das crianças dentro da sala de aula, mas à custa de queda na qualidade. A escola pública já foi boa. Hoje, com raríssimas exceções, é péssima. Para mudar isso é necessária uma ação em larga escala. Não é como nos países desenvolvidos onde o estado do bem-estar social cobre tudo, e sobram apenas os bolsões de miséria para as ONGs trabalharem. No Brasil é preciso reformar a educação pública a partir de dentro.
O investimento principal é em recursos humanos?
Sem dúvida. A matéria-prima mais valiosa do País são as suas crianças. Se fabricar um computador já é complicado, quanto mais um ser humano. É preciso um enorme investimento, ao longo de muito tempo. Mas o resultado certamente será mais do que compensador - seja em termos materiais, seja em termos éticos. (R.D.)
Sandra Blanco
A consultora financeira Sandra Blanco é uma das pioneiras nas ações de educação financeira voltadas para as mulheres. É dela o primeiro livro nacional com esse foco, Mulher Inteligente Valoriza o Dinheiro, assim como o primeiro site na mesma linha, o Mulherinvest. Site, aliás, que dá nome ao clube de investimento feminino que ela fundou e lidera. Nesta entrevista à Revista Bovespa, concedida enquanto colocava as filhas Alícia, de 9 anos, e Isabela, de 7, para dormir, ela fala da mudança comportamental da mulher em relação aos investimentos - mostrando como é importante entender mais sobre o mercado de ações para ganhar autonomia.
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Sandra Blanco |
| Um grupo de mulher está afoito para conhecer o mercado |
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Como iniciou o trabalho de orientação financeira para mulheres?
Eu estudei matemática, trabalhei em banco, sempre fui apaixonada por investimentos. Fiz um curso de administração financeira nos Estados Unidos com esse foco. Foi lá que percebi que as americanas tinham muitos livros para ler sobre o assunto e eram muito ativas em relação a investimentos. Ficava pensando: "Meu Deus, elas estão anos-luz na nossa frente!" Quando voltei para o Brasil, decidi que ia escrever um livro sobre o assunto. Ele já está na terceira edição.
Como o livro foi recebido na época?
Da mesma forma que receberam minhas idéias: bem, mas com certo estranhamento. As revistas femininas não estavam interessadas, ninguém levou muito a sério. Até ficar claro o peso das mulheres na hora de gastar e aplicar o dinheiro da família. Hoje não há mais dúvida. E as mulheres estão cada vez mais maduras em relação às aplicações.
Como percebe isso?
Pelo tipo de pergunta que me fazem. No início do meu site, o único interesse das internautas era saber como gastar menos, pagar a fatura atrasada do cartão de crédito, sair do vermelho. Esse tipo de pergunta continua a ser a maioria, mas um grupo grande de mulheres está afoito para conhecer mais o mercado, saber a diferença entre uma ação preferencial e uma ordinária, pedir sugestão na hora de comprar ações. Isso não acontecia de jeito nenhum em 2003!
As mulheres do clube Mulherinvest têm esse perfil?
Nossa, somos xiitas! Nós mesmas tomamos as decisões sobre onde investir, e isso exige aprendizagem, troca de idéias, de conhecimento. Hoje há cerca de 100 mulheres cadastradas e a maioria está ativa. Dessas, 25 costumam estar nas reuniões quinzenais no meu escritório, em Ipanema. Além de decidir onde colocar o dinheiro, periodicamente há uma apresentação sobre uma nova empresa que desponta como opção interessante para investir. Feita por uma das mulheres. É de dar orgulho, não é?
Sem dúvida. Os investimentos estão dando certo?
Sim, tanto que até o final de 2007 tínhamos acumulado uma valorização de 300% em nossas cotas, em três anos. Com os problemas do início de 2008, ela caiu um pouco, mas não nos afetamos. Temos em nossa mente que tão importante quanto os lucros é ganhar autonomia para investir. Tanto que, hoje, muitas das participantes já possuem carteiras próprias, além da aplicação por meio do clube.
Missão cumprida, então?
Está sendo, porque assim como a equipe do Mulheres em Ação, da Bovespa, tenho muito a dizer para a população feminina sobre educação financeira. Acho que é uma forma de dar a minha contribuição para que as mulheres ganhem mais autonomia e respeito. (M.S)
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