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| Fundos |
| Mais peso ao mercado de capitais |
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| Ricardo Malavazi |
| Destinando 25% à renda variável |
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O investimento em ações tem de ser visto no curto e longo prazo, daí a importância da política de renda variável dos fundos de pensão. Para fazer face aos compromissos que assumiram com o futuro de seus participantes (complementação da aposentadoria, por exemplo), os fundos têm de aplicar seus recursos em empreendimentos de longa maturação, que gerem retorno consistente, enquanto criam empregos e contribuem para o desenvolvimento do País. Essa é a linha de ação adotada pela Petros, a fundação dos funcionários da Petrobras, que tem 90 mil participantes, é a segunda maior do país e, aos 34 anos, administra ativos de R$ 21,4 bilhões (dados de maio).
Prevendo juros menores e crescimento econômico próximo a 4% neste e nos próximos anos, a Petros vem redirecionando seus ativos. O objetivo é chegar ao final de 2004 com aproximadamente 25% dos investimentos em renda variável, incluindo projetos de infra-estrutura. "Acreditamos no futuro do País e do mercado de capitais e nossa estratégia é enxergar com otimismo a expectativa de sustentabilidade, com menores taxas de juro. Portanto, não é uma decisão de curto prazo, mas de ampla concepção", explica o diretor-financeiro e de investimentos da Petros, Ricardo Malavazi.
A Petros já aumentou a alocação em renda variável de 15,4% do total dos investimentos em junho de 2003 para 20,8% em junho de 2004. Os projetos de infra-estrutura representam 2,3% da carteira total dos investimentos e 11% do total da renda variável, com rentabilidade de 23,77% nesses 12 meses, bem acima da meta atuarial de 11,46%. Mas tem critérios bem claros. "Procuramos ações de companhias que têm boa governança corporativa, responsabilidade social como um todo e ética nas relações com todos (parceiros, clientes e funcionários)."
Responsabilidade social não é filantropia. "É cuidar do meio ambiente, do local de trabalho, da satisfação dos trabalhadores, o maior ativo da empresa, sem a qual pode haver perdas de produção. São atitudes que a médio e longo prazo vão gerar maior rentabilidade e valor para a empresa, pois quando uma empresa só pensa no lucro acaba perdendo a sustentabilidade no futuro." Na carteira do fundo, por exemplo, está a CPFL Energia, maior holding de controle nacional em atuação no setor elétrico brasileiro, que aderiu ao Novo Mercado da Bovespa, o segmento que exige transparência e as melhores práticas de governança corporativa.
Venture capital - Outro campo que interessa à Petros são os fundos de "venture capital" e "private equity". Esse é o terreno onde se reúnem investidores com dinheiro e empresas nascentes, sobretudo as de base tecnológica, cujos empreendedores têm grandes idéias, mas não possuem recursos para implementá-las. Estes associam-se a investidores, que assumem riscos e ajudam a viabilizar a empresa. Dia 14 de setembro, a Petros promoveu em São Paulo um encontro para debater o tema. Instituições como Pactual, Dynamo, CRP, Fir Capital e Stratus mostraram seus fundos de "venture capital" e relataram as experiências positivas.
Malavazi nota que essa é ainda uma cultura incipiente nas entidades fechadas de previdência. O venture capital é visto por seu alto risco. Além disso, por força da legislação, a participação das fundações não pode passar de 25% do capital do fundo, o que torna necessário o ingresso de outros parceiros. Apesar de algumas turbulências, diz ele, no Brasil já existem inúmeros casos de "venture capital" bem-sucedidos. "Sem risco não há retorno, esses dois conceitos são indissociáveis. E, nesses investimentos, o retorno é bom". (R.S.) |
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