| Governança atrai acionistas
Para fazer crescer o mercado acionário brasileiro, a receita está em companhias bem governadas e minoritários prestigiados. Esta é, em síntese, a mensagem de Adriana Andrade e José Paschoal Rossetti, da Fundação Dom Cabral, no livro Governança Corporativa - Fundamento, Desenvolvimento e Tendências, lançado em outubro pela Editora Atlas, após três anos de pesquisas. No Brasil, cabe compartilhar com os minoritários não apenas lucros (dividendos e boas cotações em Bolsa), mas assegurar que eles não perderão em caso de venda da empresa.
O Novo Mercado da Bovespa, onde são negociadas ações de empresas com boa governança, é "padrão mundial", diz Rossetti. O tema é tratado com profundidade histórica e ampla bibliografia. Apresenta a visão conceitual, a estrutura de poder nas empresas, o trinômio propriedade-gestão-retorno e distingue os modelos stakeholder (voltado para todos os grupos sociais com interesse na empresa) e shareholder (voltado para os acionistas).
"Seguramente, governança corporativa não é um modismo a mais", afirmam os autores, lembrando da importância do tema para os países desenvolvidos da OCDE e para a ONU. O exemplo brasileiro é investigado com cuidado. Há um longo caminho a percorrer: as companhias são pequenas, é expressiva a presença de estrangeiras e instituições financeiras, predominam as empresas fechadas e, entre as S.As. de capital nacional, é forte o peso das famílias e da concentração da propriedade. Ainda predomina a orientação para os acionistas e não para a sociedade (stakeholder). A mudança virá com a ênfase na capitalização via Bolsa e na disseminação da propriedade acionária.
A boa governança dá frutos. Ajudou a manter a confiança de investidores na crise das ações norte-americanas, quando o valor de mercado das companhias caiu de US$ 16,7 trilhões, em 1999, para US$ 11,1 trilhões, em 2002, conforme o prefácio de José Guimarães Monforte, presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Maus exemplos devem ser punidos, como os de executivos que se locupletavam via salários, empréstimos ou opções de compra, fraudando companhias, como a Enron, ou valendo-se de informação confidencial, caso da Martha Stewart.
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