Carta ao Leitor
Um mercado blindado?
Os editores
 
 

O desenrolar da crise política não havia abalado nem o mercado acionário, até o fechamento desta edição, dia 10 de agosto, nem os demais mercados, que continuaram dando provas de maturidade. Não obstante, esta revista foi reaberta dia 21 de agosto, em vista das acusações feitas ao ministro da Fazenda por um ex-assessor, confirmando que se há risco é o da contaminação da economia pela política. A questão é encaminhar a resposta às dúvidas, com cuidado.

Nos últimos 11 anos, a partir de 1º de julho de 1994, com a implantação do Plano Real e a superação da inflação aguda, o Brasil deu passos largos rumo à estabilidade fiscal, financeira e cambial. Ao rejeitar as acusações que lhe foram imputadas, o ministro Antonio Palocci afirmou: "Não é uma atitude de política econômica que blinda a economia. São os resultados das políticas que foram tomadas lá atrás, quando José Sarney criou o Tesouro Nacional, acabou com a conta movimento, quando Fernando Henrique fez a Lei de Responsabilidade Fiscal, quando se fez os contratos com os Estados".

O País iniciou o último ciclo de estabilização antes mesmo da transmissão do cargo de FHC para Lula e fortaleceu-se com a gestão da Fazenda. O ex-presidente do BC, Ibrahim Eris, em seminário realizado em agosto, afirmou que os riscos são, hoje, o externo e o fiscal, mas ambos parecem pequenos e não conturbam o cenário econômico. Resta, pois, a questão política, mas cabe frisar que a maioria não teme grandes turbulências, pois os preços dos ativos brasileiros são baixos, cotejados com os de outros países.

As empresas cotadas em Bolsa, como a Petrobras, que se mostra auto-suficiente em petróleo, têm auferido rentabilidade satisfatória, inclusive muitas que foram prejudicadas pela queda do dólar diante do real. Os preços das ações, em média, parecem ser baixos devido aos juros elevados que empurram aplicadores para os fundos DI. Afinal, com a queda da inflação, a baixa dos juros reais parece ser questão de tempo.

A blindagem - relativa - dos mercados brasileiros vem se confirmando com o passar do tempo. Confirmá-la significará um enorme avanço institucional, semeado pelos ministros da Fazenda e por autoridades monetárias duras, mas competentes. Este trabalho começa a ser pavimentado por menores tributos e programas bem-sucedidos, como o da popularização do mercado acionário, atraindo mais empresas e investidores.

 
 
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