Inclusão
Parceria impulsiona a BVS
 
 
 
Suzana Worcman
Menos IR para aplicar na Bolsa de Valores Sociais
Diz o ditado popular que uma mão lava a outra. Assim, a Bolsa de Valores Sociais (BVS) firmou em julho um convênio com a BrazilFoundation para receber doações de brasileiros residentes nos Estados Unidos. Com a união social entre as duas instituições filantrópicas, brasileiros moradores fora do País ao efetuarem uma doação fazendo uma opção de 'compra' de um papel de uma entidade social listada na BVS receberão um certificado emitido pela BrazilFoundation que permitirá a dedução do imposto de renda norte-americano, reconhecido legalmente, de acordo com a seção 501, da Lei de IR dos EUA, em porcentuais que podem superar 80% anuais.

Segundo Susana Worcman, vice-presidente da BrazilFoundation e diretora executiva da entidade no Brasil, a vantagem fiscal pode variar conforme renda e valor doado. "O abatimento do IR gera uma grande vantagem, com redução média entre 50% e 80%", explica. O reconhecimento do Fisco norte-americano, diz, não é tarefa fácil.

Em contrapartida, a BrazilFoundation, fundada em 2001 pela chinesa Leona Forman, que tem pais russos e morou por muitos anos no Brasil, consegue ampliar o leque de ONGs que trabalham em prol da transformação social no Brasil. Ou seja, a entidade foi criada para captar contribuições dedutíveis para efeito de imposto de brasileiros trabalhando nos EUA e de empresas e fundações com interesse em projetos sociais no Brasil. "Existem ótimos projetos, mas que não conseguimos apoiar por escassez de recursos. Para a campanha deste ano, arrecadamos R$ 250 mil para atender 31 projetos, um volume pequeno quando comparado ao número de solicitações, que ultrapassa a mil. Então, com a união da BVS, repassamos programas e já avaliamos sua integridade para que sejam candidatos à 'listagem' na Bolsa Social", comemora Susana.

Como a BrazilFoundation se tornou um veículo confiável para doações, ela servirá como ponte entre advogados, profissionais dos setores financeiro e bancário e outros imigrantes brasileiros bem-sucedidos nos projetos sociais nas áreas de educação, saúde, direitos humanos, cidadania e cultura no Brasil. "Leona saiu do País para morar nos Estados Unidos e percebeu que tinha muito brasileiro investindo nos problemas sociais de outras civilizações e decidiu fazer a inserção desse montante para o Brasil em agradecimento aos anos em que viveu no local", lembra o superintendente executivo de Administração da Bovespa, Marcos Antonio Costa e Silva.

A parceira BVS vem ao encontro desses princípios, embora detenha em sua carteira social ONGs atuando somente na área de educação. Desde a sua criação, em junho de 2003, a BVS conclui a arrecadação de recursos para 13 projetos espalhados pelo País, num montante de R$ 2,3 milhões. Sua iniciativa já foi inclusive destacada como exemplar pelos organizadores do Fórum Econômico Mundial, em janeiro, na Suíça. "Estou mostrando a BVS para o resto da América Latina e também quero exibi-la para países desenvolvidos", afirmou na época Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil. (R.S.)
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