Mulheres em ação

Entrevista Maria Aparecida Pinto
 
  Maria Aparecida Pinto, 48 anos, é um exemplo de como os investimentos em bolsa a longo prazo podem funcionar como uma preciosa fonte complementar de rendimentos. Funcionária da Cesp há 28 anos e dirigente sindical, começou a aplicar em ações nos anos 70. "Sou uma negociadora nata", diz ela. Apesar do salário típico de uma analista de sistemas da Cesp, Aparecida tem uma vida patrimonial confortável, proprietária de três residências e com viagens regulares de férias à Disneyworld, com o filho adolescente.
  • A senhora investe em ações há 30 anos. Como começou seu interesse pela bolsa?
    - Meu interesse começou nos anos 70, quando um amigo pobre como eu comprou ações da Cesp. Comprei também e deixei as ações rendendo. Em 1993, a companhia colocou um lote de ações à disposição dos trabalhadores. Comprei de novo. Em 1995, quando a companhia foi dividida em cinco, as ações foram recompradas. Resultado: tive um lucro de 1.200%. Ainda no início dos anos 90, comprei ações do Banespa e ao resgatar, cinco anos depois, fiz uma viagem para Disneyworld com meu filho. Enfim, acho que tenho jeito para isso, sou uma negociadora nata.

  • As centrais sindicais têm atualmente representantes no conselho da Bovespa. O que acha disso?
    - A Bovespa deu um salto de qualidade inimaginável. Se os trabalhadores têm tanta importância na produção da riqueza do País então nada mais justo do que eles estarem presentes no conselho da Bolsa. Eu me sinto muito bem representada pelo Antônio Carlos dos Reis, representante das pessoas físicas no Conselho de Administração da Bovespa.

  • Maria Aparecida Pinto

    Três residências e viagens com o filho à Disney

    Como as mulheres poderiam participar mais do mercado de ações?
    - Primeiro, quebrando o mito de que ações são um investimento só para pessoas ricas. Depois, lembrando que a mulher é melhor administradora do que o homem. Você dá 10 reais para uma mulher fazer a feira e ela se vira. O homem volta com meia dúzia de laranjas e olhe lá... Como mantedora do lar, a mulher consegue fazer render o pouco que tem. De 47% das mulheres que trabalham, 26% são chefes de família. É o meu caso, administro duas casas, a minha e a da minha mãe, e ainda saio de férias com meu filho, viajo para o exterior e tenho uma casa de férias em Paraibuna.

  • Pessoalmente, como administra as suas finanças?
    - Além de ações, aplico no fundo de previdência da Cesp. Sempre que há ofertas de ações uso o Fundo de Garantia, como aconteceu com a Vale do Rio Doce. Também analiso a cotação do dólar: quando está baixo compro e vou juntando para fazer uma viagem. Tem coisas que eu faço que ninguém acredita: comprei um apartamento financiado, levantei o Fundo de Garantia e quitei o empréstimo. Em dez anos recomprei, vendendo na alta e comprando na baixa... Parece cômico mas dá certo. E faço parte do clube de investimentos da Cesp. Todo mês coloco alguma coisa, nem que seja 20 reais.

  • A senhora tem uma visão pessoal sobre dinheiro?
    - Dinheiro não aceita desaforo. Se você usa mal, ele some. Se usa bem, ele rende.

  • Que fontes usa mais para se manter informada sobre economia e sobre o mercado financeiro?
    Entro na internet todos os dias e não vou dormir sem ver o Jornal da Globo e o telejornal da Bandeirantes. Além disso, leio revistas especializadas. (René Decol)
 
voltar