Mulheres em ação

No exterior, destaque para o programa brasileiro
Rosângela Santiago
 
  O projeto Mulheres em Ação já não se limita ao Brasil, chegando ao exterior: em junho, foi apresentado no 25o congresso mundial New Dimensions of Leadership, promovido pela Business Professional Women (BPW). Mais de mil mulheres de 56 países participaram do evento, realizado em Luzern, na Suíça, inclusive as coordenadoras do programa Mulheres em Ação, Ângela Barros e Inêz Bozzini. A BPW International é uma organização para troca de experiências e encorajar mulheres de todo o mundo a assumir responsabilidades em todos os níveis dos negócios, política e sociedade, inclusive nos investimentos em ações em universos tipicamente masculinos em países emergentes, como ainda ocorre em algumas bolsas de valores.

No congresso da BPW, as coordenadoras do Mulheres em Ação apresentaram o workshop Women in Action: Getting a Lead in the Stock Market. Embora o objetivo principal do encontro fosse o de discutir questões relacionadas à formação de lideranças, inúmeros grupos de mulheres manifestaram interesse pela gestão de recursos, enfatizaram as coordenadoras do Mulheres em Ação.

A apresentação do programa Mulheres em Ação em Luzern trouxe maior visibilidade para o mercado brasileiro de ações e para a Bovespa, como notou Ângela Barros: "Percebemos que a educação financeira já é uma realidade para o sexo feminino em alguns países, mesmo assim, o público presente surpreendeu-se com nosso projeto e entenderam a importância do planejamento financeiro para as mulheres. Também verificamos a importância do nosso trabalho porque o excesso de consumo é um problema mundial".

"Dadas as devidas proporções, nos identificamos com as mulheres presentes que mostravam também preocupação social na tomada de decisão sobre seus investimentos, como, por exemplo, um grupo de jordanianas que procurava fazer aplicações com vistas a financiar projetos de cunho social", disse Inês. Para Elisa Malta Campos, presidente da BPW em São Paulo, o formato do programa Mulheres em Ação é pioneiro para as mulheres, o que desperta grande interesse. "Há exemplos semelhantes, mas no Brasil o processo é mais criativo e engajador. E voltar-se para a educação financeira tem tudo a ver com o desenvolvimento do nosso público. E é fundamental que as mulheres tenham acesso às opções de investimento no mundo, por isso o projeto é maravilhoso e tem muita força". O convite às coordenadoras do Mulheres em Ação para participar dos eventos da BPW deve-se ao trabalho da Bovespa de abrir espaço para fomentar a presença das mulheres no mercado de ações. O estímulo à poupança, inclusive em ações, é fundamental para estimular as lideranças femininas, nota Elisa.

Pesquisas nos EUA - O comportamento da mulher investidora é estudado pela Associação Nacional de Distribuidores de Títulos (Nasd). Recursos de US$ 375 mil serão fornecidos pela Nasd para financiar três programas universitários para avaliar a mulher investidora. Uma especialista em finanças pessoais, Tahira Hira, da Universidade do Estado de Iowa, vai estudar os motivos pelos quais homens e mulheres tomam decisões diferentes sobre investimentos. Ela pesquisará as emoções das pessoas ao investir. "Meu objetivo será estabelecer os fatores que contribuem para um comportamento - para uma personalidade - em que as pessoas se sentem mais confortáveis ao tomar decisões na área financeira".
 
 
Mapeando o Brasil

Mulheres em ação no Rio
Ouvindo a palestra da jornalista Míriam Leitão
Mesmo em Wall Street, símbolo dos investimentos, não se conhece a fundo o perfil da mulher investidora, mas no Brasil já se faz um esforço nessa direção. Uma pesquisa da Data Popular ajudou a mapear o caminho. O lançamento de uma cartilha para disseminar a educação financeira foi o passo seguinte. Mas é via contactos diretos entre as coordenadoras do programa e o público feminino que o programa avança. Dia 15 de junho, em Porto Alegre, 420 mulheres participaram de evento do Mulheres em Ação. Dia 15 de agosto, no Rio de Janeiro, lotou o centro de convenções da Bolsa do Rio para ouvir palestra da jornalista Míriam Leitão. Novos encontros estão previstos para setembro, em Minas Gerais e, outubro, em Brasília. "Tem havido sucesso absoluto de público, servindo tanto para o que já conhece o mercado de capitais como para o que vem em busca de informações sobre a Bolsa", diz Ângela.

O caminho natural é investir via corretoras de valores. A diretora da Corretora Solidus e presidente da Apimec na Região Sul, Débora de Souza Morsh, destaca o número de participantes nos eventos como evidência do interesse potencial da mulher investidora. "Atualmente, 30% dos clientes da corretora são mulheres e a preocupação é a educação financeira para fazer bons investimentos", comenta. Débora está organizando, em parceria com a Bovespa, cursos de dois dias para mulheres, ministrados na Apimec.

Kátia Fetzer, 37 anos, gerente de Recursos Humanos, fala do programa: "Foi interessante, entendi mais o vocabulário e desmistifiquei algumas idéias. Mas gostaria de obter mais informações técnicas sobre os investimentos. A engenheira civil Sandra Bundyra destaca o planejamento financeiro. "Gostei da abordagem das palestras, mostrando de modo simples a importância de ter seu próprio centro de custos e controle diário das despesas. Eu havia iniciado, há dois meses, um controle de minhas despesas e notei a economia no fim do mês."
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