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| Júlio Krauspenhar |
| Um dos fundadores da antiga Abamec, hoje Apimec, que nasceu em Recife |
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O administrador de empresas Júlio Krauspenhar é um especialista conhecido no mercado acionário. Em São Paulo desde 1969, foi executivo dos grupos Boston e Vicunha, consultor do Bradesco e fundador da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec, hoje Apimec). Numa visita à Açonorte, patrocinada pelo grupo Gerdau, Krauspenhar e outros analistas como Thomas Tosta de Sá, Jouji Kawassaki, Iosif Sancovsky, Joubert Rovai, Vladimir Rioli e Luís Fernando Vasconcellos reuniram-se para uma rodada de cerveja na praia da Boa Viagem e lançaram a idéia da constituição da respeitada entidade que congrega a maioria dos principais especialistas em mercado acionário.
Krauspenhar colaborou com personagens ligados historicamente ao mercado de capitais. Foi contratado pelo Boston por José Maria Sampaio Corrêa e Flávio Barroso, conviveu com Lawrence Fish que, por sua vez, contratou Henrique Campos Meirelles para a instituição, três décadas antes de o executivo chegar à presidência do Banco Central.
Hoje, como consultor, casado com uma paleontóloga especializada em petróleo, Krauspenhar acompanha a evolução dos preços tanto da commodity no mercado internacional - que superou os 65 dólares o barril, em agosto -, como das companhias abertas cujos negócios dependem do óleo bruto - Petrobras, Ipiranga, empresas petroquímicas e de fertilizantes. Acima de tudo, tem o hábito de garimpar o mercado em busca de papéis de grupos sólidos, sem se preocupar tanto com a liquidez como com as empresas que, no longo prazo, possam remunerar melhor os investidores pacientes. Esse foi o caso de Manah, Petroflex e Aracruz, que, respectivamente, recompraram por preço elevado os papéis em poder dos minoritários ou engrossaram o grupo das empresas com sólida valorização nos últimos 30 anos.
"Nada a ver, portanto, com aplicadores apressados, dispostos apenas a buscar ganhos em curtíssimo prazo", adverte o administrador, que diversificou o próprio patrimônio, onde além de ações está uma criação de gado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, sua cidade natal, e pequenos imóveis em construção, em São Paulo.
Krauspenhar combina cautela com otimismo. "O mercado acionário sempre ofereceu boas oportunidades, mas cabe analisar empresas com rigor", alerta. "As empresas devem ser capazes tanto de disputar o mercado internacional como de se atualizar constantemente, apresentar boas gestão e governança corporativa, e, afinal, conseguir lucros e pagar dividendos depois de transferir para a Receita os elevados tributos brasileiros, superiores aos da maioria dos países", sintetiza. "Não é tarefa fácil, nem mágica, pois a gestão de uma carteira não depende de bizus (os boatos que correm o mercado no dia-a-dia), mas do trabalho paciente e perseverante, pois qualquer empresa, por melhor que seja, está sujeita a percalços que afetam suas cotações". (F.P.J) |
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