Carta ao Leitor
Economia e instituições
Os editores
 
  À medida que evolui a crise política, o Brasil dá sinais de maturidade, explicáveis pelo trabalho de fortalecimento das instituições, ainda não concluído. Em ambiente marcado por desvios de conduta e disputas, os solavancos nos mercados são vistos como naturais.

Efeitos negativos de uma crise política são inevitáveis. Adiam-se decisões de investimento e teme-se que incertezas afetem a política macroeconômica, pois uns defendem rigoroso equilíbrio fiscal e outros ignoram que é caminho testado por países que evoluem da condição de emergentes para a de desenvolvidos, como Irlanda, Chile e Coréia, entre outros. Seria temerário modificar uma política que, a duras penas, foi aceita pela população e é atenuada pelo Copom, o que deveria bastar para que a harmonia presidisse as relações ministeriais.

O mercado bursátil é prova de solidez. As cotações mantêm-se em níveis razoáveis e há notório interesse do público por emissões de ações realizadas nos níveis do Novo Mercado da Bovespa. Há presença maciça de corretoras de valores nos lançamentos e o País foi guindado à condição de 9o mercado mais importante do mundo em underwritings, galgando dez posições em um ano, segundo a Federação Mundial de Bolsas.

Nesta edição, há ainda reportagens sobre a inclusão de novos acionistas - caso das mulheres e dos operadores do Direito. E abriu-se o debate sobre a inclusão de grupos raciais minoritários, tratados em entrevista do professor Marcelo Paixão, da UFRJ.

A Bolsa, em resumo, mantém sua política estratégica de longo prazo. Contempla a atração dos públicos interessados em participar das empresas na qualidade de acionistas e dos que querem formar poupança financeira para a aposentadoria, dando suporte à capitalização das empresas.

O processo de democratização do capital acionário é vitorioso. Ele decorre do trabalho permanente da Bovespa para o fortalecimento do mercado de capitais. A resistência desse mercado a embates políticos será ainda mais crucial no ano eleitoral de 2006, quando os investidores observarão o comprometimento dos candidatos com um mercado acionário de padrão mundial.
 
 
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