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| Mulheres em Ação |
| Entrevista
Cláudia Costin |
| René Decol |
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Cláudia Costin |
| Mercado de ações é democratização do capitalismo |
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Cláudia Costin fez a maior parte de sua carreira profissional na vida pública: foi secretária-executiva e ministra da Reforma Administrativa, diretora de programas contra a pobreza na América Latina do Banco Mundial e secretária da Cultura do Estado de São Paulo. Atualmente, ocupa a vice-presidência da Fundação Victor Civita. "Nosso trabalho é voltado para a capacitação dos professores das escolas públicas, que é o que vai fazer a diferença no futuro", diz. "Apesar de termos 97% das crianças na escola, elas não estão aprendendo, porque o nível dos professores é muito baixo". Formada em administração pública, Cláudia Costin fez mestrado em Economia e doutorado em Políticas Públicas na FGV.
- A senhora fez uma carreira brilhante como funcionária pública. Como se deu essa escolha profissional?
Sempre sonhei trabalhar com educação, mas na época da escolha meu irmão faleceu e meu pai pediu que eu considerasse a idéia de fazer administração para trabalhar na empresa dele, papel reservado a meu irmão. Mas eu era de esquerda na época, surgiu a idéia de fazer administração pública como solução de compromisso. Foi paixão à primeira vista: entrei na faculdade e percebi que era o que eu queria.
- Como lida com a família ao trabalhar longe?
Não é muito simples, você tem de negociar com muita gente. Quando fui convidada para o Banco Mundial, em Washington, meu marido, que era diretor de uma empresa de informática, largou tudo para ir comigo e passou dois anos administrando a casa e tomando conta dos filhos. Levava os filhos à escola ou para tomar sorvete à tarde. Foi uma experiência muito interessante para ele.
- O fato de ser mulher tem peso na vida pública?
Há condicionantes. Por exemplo, na hora de fazer o doutorado, a maioria dos meus amigos homens saiu do Brasil. Eu tinha filhos pequenos e aí já não dava. Percebo que na maior parte das vezes acaba sobrando mais para a mulher o cuidado com as crianças e os idosos. Posso estar trabalhando feito uma louca e sempre me lembro de ligar para o meu filho para saber se fez a lição. Esse tipo de cuidado é muito característico da mulher.
- Como as mulheres poderiam participar mais do mercado de ações?
As mulheres têm perfil mais conservador e tendem a identificar a bolsa com aplicações de risco elevado. Eu particularmente gosto muito da filosofia do mercado de ações, que é a idéia da democratização do capitalismo. Hoje, se colocássemos os capitalistas no pelotão de fuzilamento, como advogavam os radicais dos anos 60, estaríamos matando as velhinhas, as professoras da Califórnia... Houve uma pulverização da propriedade e isso é muito bom.
- Você tem uma visão pessoal sobre dinheiro?
Venho de uma família que várias vezes perdeu tudo por causa de perseguições raciais e políticas e teve de fugir deixando tudo para trás. Por isso herdei de meus pais a idéia de que dinheiro é para adquirir conhecimento. Não economizamos ao pagar cursos e viagens para os filhos. E faz parte tanto da tradição cristã como da judaica que o dinheiro não pertence a você. O papa João Paulo II dizia que paira uma hipoteca social sobre a propriedade privada. No judaísmo, a propriedade é vista como algo dado para ser administrado, o que inclui a caridade - ajudar pessoas que poderiam mudar de vida se tivessem algum apoio. Ao decidir sobre investimento, eu e meu marido escolhemos uma instituição ou ação social para apoiar. (René Decol)
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