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| Corretoras |
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Buscando talentos para atrair a pessoa física |
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| João Augusto |
Sérgio Dória |
| Um time pesado para disputar investidores individuais |
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Fundada em 1977, quando o mercado acionário voltava a dar sinais positivos após os efeitos da crise de 1971, a corretora Intra foi constituída por Benjamin Pereira de Queiroz e Adolpho Mello para intermediar operações com ações, prestando serviços aos clientes e evitando o risco de carregar uma carteira própria de títulos. Ainda hoje, esse é o propósito básico da corretora - dirigida por sócios e executivos com larga experiência em Bolsa, como João Augusto Pereira de Queiroz, Ezra Safra, Pedro Augusto Pereira de Queiroz, Henrique Lacerda de Camargo, Luiz Giuntini Filho e Eliezer Emilio Volcano e que, recentemente, atraiu especialistas conhecidos como Sérgio Dória e Oscar da Costa Marques, com tradição em corretoras e bancos.
"Nós estamos fazendo uma aposta grande na pessoa física, aumentando os investimentos nas operações Home Broker e procurando voltar a corretora para sua vocação original, que é o atendimento individualizado", traduziu o sócio principal da Intra, João Augusto. "Investimos pesadamente em tecnologia, com a expectativa de um retorno a médio e longo prazos e o objetivo de atingir um universo de 3 mil clientes pequenos e médios, o que significará triplicar a clientela atual", acrescentou.
Para chegar à pessoa física, a Intra abriu clubes de investimento nos quais o investidor iniciante pode dar os primeiros passos no mercado acionário sem fazer aplicações vultosas. A corretora administra 15 clubes com cerca de mil cotistas, cujo patrimônio acumulado é da ordem de R$ 450 milhões. Nessa linha, um dos projetos da empresa é denominado Futuro Legal, destinado a crianças e adolescentes com até 15 anos de idade, cujos pais desejam formar uma poupança para custear a faculdade, que será cursada dentro de uma ou duas décadas. "É um projeto social, pois a corretora faz a parte administrativa a custo zero e uma empresa coligada, a Deck, faz a gestão dos recursos, também gratuita, além de acrescentar R$ 50,00 mensais às carteiras", informa Henrique Camargo. Com um patrimônio líquido de R$ 50 milhões, o Futuro Legal faz força para cativar os cotistas, aos quais enviou, em setembro, um livro de Ruth Rocha, O Almanaque, dedicado às crianças.
Um dos projetos mais recentes da Intra recebeu o nome de Brasil Trader e "é um Home Broker mais sofisticado", como o qualifica Ezra Safra. O produto já responde por cerca de 15% das receitas da empresa e tem aceitação crescente. Foi concebido operacionalmente no conceito de plataforma, ou seja, baseia-se na massificação das oportunidades aberta pelo uso de técnicas de informática aplicadas ao desenvolvimento da infra-estrutura do mercado acionário.
A duras penas - Mas antes de atingir o estágio atual, em que figura como uma das quatro ou cinco maiores corretoras independentes do País por volume de negócios e detém patrimônio líquido da ordem de R$ 15 milhões, a Intra viveu momentos delicados. No final dos anos 90, por exemplo, tinha entre seus principais clientes o megaespeculador Naji Nahas. A ele concedeu vultosos créditos não honrados e só recuperados em parte, pela via judicial. "Depois do episódio Nahas, nosso objetivo passou a ser o varejo", lembra Safra.
Hoje, ao contrário, há uma sintonia fina entre os objetivos de mercado da corretora e o programa de popularização do mercado de ações empreendido pela Bovespa. "O trabalho de abertura de capital é fantástico", enfatiza Sérgio
Dória, que também é membro efetivo do Conselho de Administração da Bolsa e participa das decisões destinadas a ampliar o mercado. "Há muito não se conseguia o que a Bolsa conseguiu agora", afirma. "Antes, falava-se mais com o Executivo, agora se passou a falar muito com o Legislativo e, dialogando com diversos partidos, ficou mais fácil conquistar o apoio para idéias voltadas para ampliar o universo de acionistas." Essa foi uma "grande alavanca". E, assim, "a popularização se tornou boa tanto para as corretoras como para os bancos, que têm milhares de pontos-de-venda - veja-se o efeito positivo da abertura para um banco capilarizado como o Bradesco", lembra Dória.
O benefício se dá pela conquista de novos clientes e pela participação ativa nas novas emissões. A Intra está entre as líderes na colocação de novas ações, como ocorreu nos lançamentos da Nossa Caixa e da Cosan. "Na Cosan, havia 600 investidores com CPFs diferentes que pretendiam adquirir ações pela corretora", observa João Augusto.
A consolidação do mercado acionário ganhará força com informações didáticas, que permitam trocar em miúdos a legislação do mercado de capitais, permitindo que o cliente conheça precisamente seus direitos. "No Brasil, é preciso confiar desconfiando, pois, ao contrário do que acontece no exterior, o dinheiro é mercadoria escassa", ressalta João Augusto. Felizmente, "os estrangeiros estão olhando com interesse crescente para o Brasil", acrescenta Henrique Camargo. Embora a Intra também atue nos mercados de futuros e câmbio, seu foco é o mercado acionário, "cujas possibilidades de expansão, no Brasil, nos parecem substanciais". Para Ezra Safra, apesar da crise política e dos riscos externos, "o mercado de Bolsa do País tem muito chão para crescer". (F.P.J.) |
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