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| Histórias de Bolsa |
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No tempo das cautelas
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| O valor dos papéis |
Antes das ações escriturais, as cautelas
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A lembrança dos jesuítas ainda paira no ar no Pátio do Colégio. Ali começou a história de São Paulo, em 1554, quando um grupo de religiosos da Companhia de Jesus subiu a Serra do Mar e fincou raízes no alto de uma colina. Também ali, quase em frente ao Real Colégio de Piratininga, funcionaria a Bolsa Oficial de Valores de São Paulo, antecessora da Bovespa, e Caixa de Liquidação de São Paulo, a Calispa, antecessora da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Fundada em 1961, a Calispa também ocupou o Palácio do Café, no Pátio do Colégio, sede da Bolsa de 1934 a 1972. Sociedade anônima, respondia pela liquidação dos negócios com ações, que, naquela época, eram impressas em papel especial e ficavam sob a guarda das corretoras. Era o tempo das cautelas de ações, que representavam o título propriamente dito e continham cupons destacáveis para o pagamento de dividendos. Quando as cautelas eram negociadas, as corretoras as enviavam para a Calispa, cujos funcionários registravam cada negócio, recortavam os cupons que ainda pertenciam ao vendedor e passavam o papel para a corretora compradora. Ao final da liquidação, a Calispa acertava as contas com as corretoras pelo saldo líquido.
No início dos anos 70, os negócios com ações iam de vento em popa. Medido em dólares da época, o Índice Bovespa quadruplicou entre o final de 1970 e os primeiros meses de 1971. O que era bom para os investidores (ao menos, durante o período de alta) foi péssimo para a Calispa, pois havia tantos negócios que se tornou impossível realizar a liquidação nos horários previstos. "Com o perdão do trocadilho, a Calispa entrou em colapso", lembra Aguinaldo Pires Couto, que foi, na época, o superintendente de Operações da Bolsa e, depois de ter sido sócio da corretora Baluarte, atua como consultor de investimentos.
Tesouras à mão para cortar os cupons, os funcionários da Calispa não davam conta do recado. Se liquidar as ações ao portador era trabalhoso, pior ainda era a liquidação de negócios com ações nominativas, que exigiam mais burocracia. O então presidente da Bolsa, João Osório de Oliveira Germano, convocou Pires Couto para botar ordem na casa, nomeando-o diretor-superintendente da Calispa. Mas a liquidação só se tornou realmente eficiente em 1972, recebendo mais investimentos na hora em que a Bolsa passou para a Rua Álvares Penteado e modernizou suas instalações. Em 1997, 25 anos depois, a Calispa foi extinta, surgindo em seu lugar a CBLC. Hoje, todas as ações passaram a ser negociadas sob a forma escritural e as cautelas se transformaram em peças de museu, entrando para a história paulista. |
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