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Theo Carnier
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A ligação entre a Bovespa e as corretoras sempre foi estreita mas ganhou um impulso ainda maior com o lançamento do programa Corretoras - Porta de Entrada no Mercado de Capitais. Em agosto, ao comemorar 115 anos, a Bovespa reuniu representantes das corretoras para anunciar o programa, que reforça o papel dos intermediários com vistas ao crescimento e ao aperfeiçoamento do mercado de capitais. "A Bolsa fez um excelente trabalho nos últimos anos, reforçando sua importância e expandindo o mercado", lembra Nelson B. Spinelli, presidente da Spinelli Corretora e vice-presidente da Bovespa. "Devemos, no entanto, lembrar sempre que o contato com o investidor, o atendimento ao cliente, o giro são feitos pelas corretoras. A Bovespa e suas corretoras fazem parte de um todo e é esse conceito que está sendo agora reforçado."
Paulino Botelho, diretor da Coinvalores e presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), considera a iniciativa um apoio relevante ao setor: "A Bolsa vem trabalhando conosco há anos e agora nos dará um apoio extra. Foram as iniciativas da Bovespa, como o programa de popularização do mercado de capitais, que possibilitaram o aumento expressivo do número de pessoas físicas nesse tipo de investimento. Além disso, a Bolsa sempre nos ajudou em relação à infra-estrutura".
Agora, segundo Botelho, a Bovespa servirá também de apoio ao marketing das corretoras "e no aperfeiçoamento geral de nossos serviços aos clientes".
Esse aperfeiçoamento faz parte de uma política permanente e é cada vez mais necessário. Com o crescimento do mercado, a intermediação ganhou força, recorda Homero Amaral Júnior, diretor da Socopa e vice-presidente da Ancor. Segundo ele, já existem mais de 2 mil representantes desse segmento, quando se somam corretoras, distribuidoras e agentes autônomos de investimento.
Na avaliação de Amaral, esse grupo tem novas necessidades em vista do crescimento e da diversificação dos investidores: "A Bolsa, com seu novo programa, vai nos ajudar, por exemplo, na interiorização do mercado. Atualmente, não temos apenas São Paulo, Rio de Janeiro e outras poucas cidades formando o batalhão de investidores. Há muitas novas regiões a conquistar e o programa da Bovespa vai apoiar as corretoras também nesse novo desafio."
Horizonte mais amplo - A interiorização é um dos pontos mais importantes do programa, lembra Luiz Abdal, assessor de Comunicação e Marketing da Bovespa. Ele recorda que o conjunto de ações com as corretoras começou com a produção e distribuição de folheto institucional compartilhado - o texto explica o mercado e a importância da Bolsa e tem um segmento específico para que as corretoras mostrem seu trabalho e as opções que oferecem aos aplicadores.
Além disso, desde novembro, são divulgados spots de um minuto em emissoras de rádio, com tempo dividido entre Bolsa e corretoras: 30 segundos são para falar do mercado e seus atrativos e, em seguida, 30 segundos são reservados às corretoras.
Outro ponto de destaque é o programa de interiorização, voltado para as corretoras que investem na expansão geográfica. "Temos cinco modelos de penetração no interior, com estudos de praça e modelos bem desenhados e detalhados sobre diversas regiões do País", explica Abdal. "Dessa forma, vamos trabalhar efetivamente no suporte às corretoras que buscam aproveitar novas oportunidades em regiões até agora pouco exploradas pelo mercado".
As iniciativas têm grande valor para as empresas que trabalham na intermediação no mercado, assegura Milton Milioni, diretor da corretora Geração Futuro e presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) Nacional. "A Bolsa está sempre de portas abertas e trabalha visando à melhoria do mercado", afirma. "Além do apoio nas partes jurídica e tributária, dá suporte a eventos e ajuda a divulgar o trabalho das corretoras. Com as iniciativas, a Bovespa dá novo impulso ao volume de negociação, aumenta a pulverização e a capilaridade. Ao mesmo tempo, contribui para diminuir a volatilidade - ou seja, dá nova contribuição expressiva ao trabalho das corretoras."
Na mesma linha, Marcelo Canguçu de Almeida, diretor da Corretora Concórdia, ressalta a abrangência das ações da Bolsa em relação às corretoras. "O apoio vem de vários lados", afirma, ao lembrar que a Bovespa tem ajudado, com o programa de popularização, a "fazer mercado" e a dar condições de acessar clientes" pela difusão dos conceitos de transparência e de governança corporativa, que trazem mais confiança aos aplicadores".
A crescente presença da pessoa física no mercado, recorda Almeida, trouxe mudanças de peso para as corretoras: "Até poucos anos atrás, com um mercado mais estreito, o intermediário tratava quase exclusivamente com o investidor profissional. Esse quadro mudou muito com a popularização, que foi um esforço da Bolsa com suas corretoras. O trabalho resultou em ganhos para os intermediários, já que o investidor pessoa física é de longo prazo, vem para ficar no mercado, trazendo mais estabilidade para as corretoras".
O fortalecimento da atuação conjunta Bovespa-corretoras animou também a Link Corretora a dar prioridade ao mercado de ações. Criada em 1999 para atuar no mercado futuro, a Link passou com o tempo a dar crescente atenção à Bovespa, e, no ano passado, tornou-se corretora plena da Bolsa de Valores. "Percebemos a importância e a abrangência do trabalho da Bovespa", afirma Daniel Mendonça de Barros, sócio-diretor da Ling. "Ela trabalha com sucesso para alargar a base de clientes e com o Novo Mercado passou também a dar mais segurança aos acionistas minoritários".
Mendonça de Barros ressalta também que a Bovespa disponibiliza programas de incentivo, apoiando as corretoras, e com a estratégia de privilegiar a transparência atrai mais pessoas físicas e fundos de investimento: "A atuação da Bolsa com as corretoras está fazendo que rapidamente o mercado de ações cresça, passando a contar com mais empresas e chamando a atenção dos administradores de renda variável. Por isso, a Link está cada vez mais presente no mercado de ações, contando com o apoio da Bovespa nesse trabalho".
Mais novidades pela frente - Abdal acrescenta que há outras ações à vista no programa de integração entre a Bovespa e as corretoras-membros. No novo pregão que está sendo montado na sede da Bolsa, em São Paulo, haverá quatro salas destinadas exclusivamente às corretoras. Há, também, o programa de internacionalização, do qual as corretoras são parte fundamental, e pelo qual estão sendo firmados acordos bilaterais entre a Bovespa e congêneres de outros países da América Latina.
As iniciativas ganham força dada a credibilidade conquistada nos últimos anos pelo mercado acionário, enfatiza Homero Amaral: "Criou-se, com uma atuação conjunta da Bolsa e de seus corretores, a consciência da importância da ética e da transparência para o mercado. Conseguimos formar uma imagem ainda mais positiva do mercado, o que é fundamental para conquistar novos investidores".
Para ele, com a ajuda da internet, que trouxe um numeroso grupo de investidores, criou-se um mercado maior e mais diversificado, que está conquistando a confiança dos aplicadores. "A Bolsa mostrou uma visão de longo prazo acertada, que é essencial, e está trabalhando em conjunto com as corretoras com essa filosofia", assegura Homero. "Todos saem ganhando com essa estratégia, já que ela resulta em aumento de nossos negócios."
Nelson Spinelli também ressalta a importância da atuação conjunta: "A Bovespa dará ainda mais apoio às corretoras, de forma real, ajudando a aumentar nossas receitas. O mercado tem crescido graças ao esforço da Bolsa e da comunidade de corretoras e, com o estreitamento desses laços, os ganhos serão ainda maiores para todos". |
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