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| Mulheres em Ação |
| Entrevista Lucia Hippolito |
| René Decol |
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Lucia Hippolito |
| Desaprendemos o planejamento quanto ao futuro |
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Lucia Hippolito faz parte de um seleto grupo de analistas políticas. "Já disseram até que os homens fazem política enquanto as mulheres analisam", brinca. Formada em história pela PUC-Rio e em ciência política pelo Iuperj, Lucia é hoje comentarista da CBN, da Globo News, e do jornal O Estado de S. Paulo. Considerada uma das maiores autoridades em partidos, eleições e na análise do Estado, recentemente esteve em Bruxelas, a convite da União Européia, em um grupo onde era a única analista política. Na volta, falou à Revista Bovespa.
- A senhora fez carreira como cientista política e intelectual. O fato de ser mulher teve papel na trajetória? É mais difícil para uma mulher fazer carreira como a sua?
Não. É curioso, mas houve toda uma geração de mulheres que se dedicaram a estudar os partidos políticos brasileiros: enquanto eu estudei o PSD, a Maria Vitória Benevides estudou a UDN, a Regina Sampaio o velho PSP de Adhemar de Barros, a Marieta de Moraes o PTB e assim por diante. Embora alguns digam que temos um talento especial para a análise política, acho que é apenas uma coincidência. - Há alguma semelhança entre o PSD e o PSDB? Entre a era JK e a era FHC?
Não, acho que o que há hoje de mais parecido com o antigo PSD é o PMDB. Muitos fundadores do PMDB, e antes do MDB, vieram do PSD, como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Thales Ramalho. O próprio Ulysses me disse uma vez que o estatuto do então MDB foi baseado no estatuto do antigo PSD.
- Um dos problemas mais debatidos hoje é a previdência. Como resolvê-la? A previdência privada poderia desempenhar um papel maior num novo desenho?
Qualquer investimento ou poupança a longo prazo envolve regras estáveis. Seja o empresário, seja o grupo de velhinhas, quem investe precisa de regras claras e duráveis. Décadas de planos econômicos, hiperinflação e crises criaram uma grossa camada de desconfiança entre o cidadão e o Estado. Como o cidadão nunca sabe o que o Estado vai aprontar, acabamos vivendo da mão para a boca. Resultado: desaprendemos a planejar o futuro. É o que chamo de conseqüências não econômicas da hiperinflação.
- Pessoalmente, como administra as suas finanças?
Estou no grupo das pessoas que desconfiam do Estado... Por isso, tenho pouca coisa na poupança e uma pequena bolsa de moedas estrangeiras, mais para o evento de uma viagem inesperada.
- A senhora tem uma visão pessoal sobre dinheiro?
Dinheiro é a remuneração pelo trabalho. Não consigo conceber dinheiro sem que seja proveniente do trabalho.
- Quais são as publicações, jornais, revistas e sites que utiliza mais freqüentemente para se manter informada, principalmente sobre economia?
Como leitora voraz, leio quatro a cinco jornais por dia e quatro a cinco revistas por semana. Além disso, adoro romances e particularmente romances policiais. Estou começando a navegar com mais facilidade na internet. Mas às vezes é preciso parar, se não a gente fica com indigestão de informação. Quando quero me distrair, pego um livro de culinária. Sou uma cozinheira razoável. (René Decol)
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