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Mulheres em ação |
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As corretoras de valores e as mulheres na educação |
| Miriam Scavone |
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Se alguém duvidava de que a mulher ocuparia seu espaço no mercado de ações brasileiro e, mais que isso, se daria muito bem nesse tipo de investimento, já não há mais motivo para questionar o fato. Desde que o programa da Bovespa Mulheres em Ação passou a desmistificar o mundo acionário para o público feminino, em junho de 2003, muita coisa tem mudado no cenário dos investimentos. Basta dizer que, em uma década, quase triplicou o número de contas registradas por mulheres da Companhia de Liquidação e Custódia (CBLC). Além disso, os clubes de investimento exclusivamente femininos continuam a se multiplicar por todo o País - e, o melhor de tudo, têm obtido ótimos resultados.
A gerente administrativa Marta Rodrigues, de 44 anos, é uma das investidoras que festejam a rentabilidade. Depois de passar meses cogitando a idéia de colocar parte de sua poupança no mercado de ações, ela partiu para a prática em 2003, motivada pelas facilidades que começavam a ser oferecidas. "Eu não podia aplicar todo meu dinheiro e não entendia nada desse mundo da Bovespa", lembra. "O que mais me atraiu foi a possibilidade de poder colocar um valor pequeno todo mês, algo que eu poderia esquecer, deixar lá, e só tirar depois de muito tempo." Em 2003, ela e outras paulistanas fundaram um clube de investimento, ligado a uma grande corretora. De lá para cá, Marta enfrentou períodos de alta e de baixa e hoje comemora uma valorização de quase 130% de seu investimento inicial. "Além de tudo, estou fazendo um bem para o país, porque coloco dinheiro na economia, gero empregos. É muito gratificante."
Essa postura de espírito de responsabilidade pessoal e social é uma constante em quase todos os clubes femininos. É comum, por exemplo, as mulheres passarem a consumir produtos das empresas que compõem a carteira - e se manterem fiéis a ele. Além disso, toda corretora de valores que pretenda colocar em prática estratégias para receber a investidora feminina precisa atentar para outras características próprias desses clubes. O mais importante de tudo: suas participantes exigem tratamento diferenciado. A começar por contar com assessoria especializada para esclarecer toda dúvida que surgir, que consiga explicar tudo sem exagerar no "economês". Tudo indica que as investidoras preferem conversar com profissionais do sexo feminino. "Elas ficam mais à vontade e perguntam mesmo, sem nenhum constrangimento", observa Mônica Saccarelli, coordenadora de Marketing da corretora Concórdia, em São Paulo, que atende o "Concórdia Mulher Clube de Investimento". "Por isso são muito mais conscientes." As reuniões também costumam ter um cuidado especial, com chás, sucos e canapés. "Mas não confunda com encontro de amigas, não, o assunto é rentabilidade, valorização, planos para o futuro!", afirma Mônica.
Com uma experiência profissional de mais de 30 anos, a assessora de investimento da corretora Magliano S.A., Dolores Cobos Senkow, surpreende-se com as mulheres que fazem parte do grupo que ela assessora, o Clube Mulheres em Ação, com 80 participantes. "Acho incrível a forma como elas cuidam bem do próprio dinheiro", comenta. "Estão sempre questionando as aplicações, querendo saber detalhes sobre as empresas que fazem parte das carteiras. Cada passo que elas dão é muito bem pensado e elas exigem o mesmo da corretora."
Empresas fortes, rentáveis e confiáveis - Na Concórdia, assim como na maioria das corretoras que abriram clubes de investimento específicos para mulheres, o objetivo é atingir rentabilidade baseada no índice IBrX-50, que mede as 50 ações mais negociadas na Bovespa ponderadas pelo valor de mercado da empresa. É um cuidado que atende aos anseios das investidoras brasileiras, que, segundo pesquisa encomendada pelos organizadores da Expomoney, possuem perfil bastante conservador: 82% preferem opções de investimentos de baixo risco. "Por isso tentamos ser os mais conservadores dentro do ambiente do mercado de ações", justifica Fabiana Hutten, coordenadora de captação da Diferencial Corretora de Valores, com sede em Porto Alegre. "Optamos por comprar papéis de empresas sólidas, boas pagadoras de dividendos e com perspectiva de mercado, pois assim as mulheres ficam mais tranqüilas", explica. Em todas as corretoras, a governança corporativa também é levada em conta. Ela significa mais transparência, mais respeito ao investidor. Como as investidoras do sexo feminino não possuem perfil especulativo, levam muito isso em consideração. "Elas querem estar seguras, porque contam mesmo com o dinheiro para o futuro", garante Dolores. É uma filosofia que toda corretora de valores precisa compreender e respeitar, para ganhar a confiança das mulheres.
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O salto alto marcou presença na Expomoney
Elas chegavam geralmente sozinhas ou, algumas vezes, acompanhadas pelo namorado, marido ou por uma amiga. Dispostas a conhecer pormenores sobre as alternativas de investimento, as mulheres marcaram presença na terceira edição da Expomoney, a feira voltada para os investidores do varejo que ocupou o Centro de Convenções Frei Caneca nos dias 29 e 30 de setembro e 1º de outubro. Dessa vez, a ala feminina representou um quarto dos 16 mil visitantes, uma participação que dobrou em relação ao ano passado e levou os promotores do evento a ficar ainda mais atentos a esse tipo de público. "Quando a gente fornece um ambiente acolhedor para as mulheres, elas vêm mesmo, porque estão muito interessadas no assunto", comenta Robert Dannenberg, sócio-diretor da TradeNetwork, empresa organizadora do evento. Segundo ele, a previsão é de que o público feminino passe a representar 50% da visitas, em 2006.
Boa parte do aumento do público de salto alto deveu-se, certamente, à sensibilidade dos organizadores, que criaram estratégias adequadas para atender o público feminino. A começar por entender que, para a maioria das mulheres, dinheiro está relacionado a qualidade de vida. "Elas querem investir para garantir a saúde, o conforto delas e da família e, principalmente para ter tranqüilidade quanto ao futuro", diz Dannenberg. "Por isso, aplicações de longo prazo, como as ações, têm tudo para cair no gosto."
As visitantes foram tratadas de forma diferenciada. Começaram por serem recebidas em uma área especial, chamada de Espaço Mulher, onde eram oferecidos sucos, canapés, massagens, orientações de nutricionistas, exames para medir gordura corporal e, claro, palestras e debates sobre planejamento financeiro e modalidades de investimentos. "O assunto que mais fez sucesso foi dinheiro para a aposentadoria", lembra Dannenberg. "Muitas saíram de lá maravilhadas por descobrir que as ações são ótimas opções para alcançar esse objetivo." |
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