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De olho na aposentadoria
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Isaac Jardanovsky
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Isaac Jardanovsky |
| Comprando ações com vistas ao longo prazo e estudando cuidadosamente as empresas |
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Do jornalismo para o mercado acionário, a trajetória do engenheiro pela Politécnica, Isaac Jardanovsky, não foi marcada pela previsibilidade. A vida profissional de Jardanovsky não começou pela construção civil, como seria de se esperar, mas, ante as agruras do mercado de trabalho, como jornalista, primeiro da Folha de S. Paulo, onde passou num teste disputado em que foram escolhidos especialistas em segmentos técnicos, depois do grupo Visão e, nos últimos anos, como diretor da revista Problemas Brasileiros e coordenador do Fórum de Economia da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Desde os anos 70, Jardanovsky cultiva o hábito - no seu caso, frutificante - de pesquisar e acompanhar o mercado acionário, com vistas à formação de um pé-de-meia para a aposentadoria. Mas, antes de ingressar no mercado acionário como aplicador de longo prazo, ele viveu uma experiência difícil.
A iniciação de Jardanovsky no mercado ocorreu em fase de euforia, no início dos anos 70. "Fui atraído pelo espírito lúdico, quando a demanda por ações era tão grande que não havia sequer operadores em número bastante para receber as ordens de compra". Sem uma orientação firme, ele adquiriu ações da Metalúrgica Wallig, que quebrou duas semanas depois, do Banco do Brasil, Alpargatas e Açúcar União. "Os papéis viraram pó", lembra. Mas a experiência foi tão marcante que inspirou uma decisão sábia: ele foi buscar os fundamentos das empresas e investiu nas que pagavam melhores dividendos. Assim o prejuízo inicial foi largamente compensado. "Para quem pretende uma aposentadoria, melhor é aplicar aos poucos em ações." Numa época em que os bancos corriam atrás dos clientes para vender suas ações, Jardanovsky adquiriu, principalmente, papéis do Itaú - "um grupo empresarial onde engenheiros como eu tiveram boas oportunidades" - e guardou-as por anos a fio. Depois disso, polidamente, recusou propostas de outros vendedores. Pedia os últimos três balanços da empresa, "que, em geral, não eram entregues". Essa prática ainda perdura e é recomendável para iniciantes.
Jardanovsky poderia dar aulas sobre como transformar um revés numa vitória. Nos anos 50, em que era mais fácil conciliar o jornalismo diário com outros empregos fixos, foi engenheiro do Estado de São Paulo, participando da equipe que projetou o aeroporto de Viracopos com vias de acesso rápido, tanto ferroviárias como rodoviárias, como a Bandeirantes, que levou décadas para sair do papel. "Nós antevimos o papel que o Viracopos desempenharia hoje e que atrairia maciços investimentos." Com a experiência acumulada, recomenda ingressar cedo no mercado de ações, "sem esperar os 50 ou 60 anos de idade para entrar". Aplicações sem risco, no longuíssimo prazo, "mal acompanham a inflação", acredita ele. Melhor é ter uma carteira de ações "para enfrentar a velhice". |
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