Corretoras
Em busca da sinergia
 
 

Coinvalores investe em mercados diversificados

A hora de crescer

Popularização empurra o mercado, dizem os diretores da empresa

Passados oito meses de completada a fusão com a corretora RMC, os sócios da corretora Coinvalores acreditam ter seguido o melhor caminho: aproveitar ao máximo a sinergia entre as duas empresas para constituir um negócio maior, mais diversificado e em condições de disputar um mercado altamente competitivo. Por exemplo, apenas uma entre as duas corretoras tinha um departamento técnico, geria clubes de investimento e era agente de compensação da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

Em síntese, “a soma das duas empresas deu mais do que dois”, resume Paulino Botelho, sócio diretor da empresa, com sua longa tradição no mercado de valores, desde o seu ingresso na Brasval DTVM, na primeira metade dos anos 70, quando operava principalmente com renda fixa e open market, até fundar a Coinvalores DTVM, em 1979, adquirir um título da BM&F em 1986 e transformar a empresa em corretora, em 1994, além de presidir a Associação Nacional das Corretoras (Ancor).

A união com a corretora RMC, de Henrique Molinari, agregou o peso em renda variável que era característico da Coinvalores com as operações com derivativos que predominavam na RMC. Uma vantagem a mais foi a possibilidade de desfazer-se de títulos patrimoniais da BM&F que ficaram ociosos e capitalizar a corretora, cujo patrimônio líquido ascende hoje a R$ 18 milhões.

A diretoria da Coinvalores – formada por Paulino Botelho, Fernando da Silva Telles, Henrique Molinari, Francisco Leite, Hélio Ramos Ferreira e José Ataliba Sampaio – têm experiência diversificada e muita familiaridade com os mercados financeiro e de capitais. Com esse time de profissionais, a corretora optou por se expandir nos vários segmentos de mercado, ou seja, não apenas no mercado acionário, onde está investindo pesadamente nas operações de Home Broker, mas também em áreas como a de fundos imobiliários.

A primeira providência após a fusão foi passar para uma sede nova, mais ampla, ocupando todo um andar da Avenida Faria Lima e deixando aberto o espaço para reforços na medida do desenvolvimento dos mercados – o que é visto como o cenário principal pelos sócios. A mesa de operadores da Coinvalores já tem os lugares prontos para a hora da contratação de novos profissionais.

Os investidores na Coinvalores desfrutam de um acompanhamento constante do mercado. Este acompanhamento é feito por um grupo de cinco especialistas responsável pela análise de 110 a 120 papéis, entre os mais negociados na Bovespa. O grupo de análise gera quatro relatórios regulares. Um deles é um guia mensal para o investidor, outro, uma sugestão semanal de compras e vendas, além de análises de empresas com base nos balanços divulgados – no site da Coinvalores aparecia a chamada, na sexta-feira, 9 de fevereiro, para a Votorantim Celulose e Papel (VCP), uma conhecida empresa aberta – e um texto de acompanhamento dos mercados. Aos poucos, a corretora pretende dar enfoque às pequenas companhias, conhecidas como small caps, apostando na tendência de presença crescente de novas empresas na Bovespa.

A renda variável “tem tudo para crescer”, nota Botelho. Isto se explica porque está em curso uma mudança no perfil do investidor. As pessoas físicas, por exemplo, representam entre 30% e 35% do volume financeiro negociado diariamente pela empresa. Há 14 clubes de investimentos administrados pela Coinvalores, em regime de gestão plena da corretora, gestão compartilhada e gestão dos próprios cotistas. “Na prática, predomina a gestão compartilhada. Há uma troca de informações e se decide em conjunto.” As reuniões dos clubes atendem aos diversos perfis dos investidores. “Em clubes abertos, as reuniões são semanais. Mas, em outros, é diário”, observa Silva Telles.

“O importante é que o investidor está amadurecendo”, enfatiza Botelho. “Ele já admite o risco e faz suas aplicações conforme seu grau de tolerância com o risco.” E esta tendência, segundo Molinari, foi estimulada pelo “trabalho de popularização do mercado desenvolvido pela Bovespa, que ajudou muito o desenvolvimento do mercado de pessoas físicas”. Os lançamentos de ações novas têm sido um dos instrumentos para atrair novos investidores. E estes instrumentos poderão ser ainda mais utilizados se uma cota maior de papéis for distribuída no varejo, o que abriria o leque para o ingresso de milhares de novos aplicadores no mercado de ações.

A Coinvalores é responsável pela gestão de ativos de R$ 350 milhões, distribuídos entre fundos de investimento, fundos imobiliários carteiras administradas e clubes de investimento. Em renda variável, esse montante é estimado em R$ 35 milhões, dos quais R$ 15 milhões estão em clubes de investimentos, dos quais participam mais de 500 cotistas, dos mais de 7 mil clientes da corretora.

Diversificar - A Coinvalores evita a concentração de operações. Além de operar em renda fixa, derivativos e renda variável, adquiriu expertise em fundos imobiliários, iniciados, muitos anos atrás, por Henrique Molinari. Esses fundos têm atraído recursos que permitem a construção de grandes edifícios comerciais e suas cotas têm investidores qualificados, entre os quais estão fundos de pensão. Fundos com mais de 50 cotistas gozam de isenção do Imposto de Renda, lembra Molinari, além de poderem ser negociados na Bolsa. “Passam a ser uma alternativa para as pessoas físicas interessadas em preservar seus ganhos reais num ambiente de declínio dos juros”.

“O ambiente econômico é favorável à diversificação e ao aumento das aplicações de risco”, enfatiza Paulino Botelho. “Os jovens já perceberam que carteiras de boas ações formadas ao longo do tempo, sem a preocupação de realização imediata de lucros, representam a melhor alternativa.”

 
 
voltar