Mulheres em ação

Dia da Mulher

Miriam Scavone
 
 

Data para celebrar conquistas

O dia em homenagem à mulher, 8 de março, não surgiu por uma mera gentileza ou como forma de celebração da feminilidade. Ele marca, no calendário, uma luta intensa pela igualdade de direitos, pela independência, pela autonomia e pelo respeito. No decorrer dos séculos, essa luta vem acontecendo incessantemente, algumas vezes de forma silenciosa, outras nem tanto. As bandeiras que puxaram o movimento também mudaram com o tempo. Reivindicar a saída do ambiente doméstico para trabalhar fora de casa foi um momento. Sair às ruas para adquirir o direito ao voto, outro.

Desvencilhar-se de espartilhos, enchimentos e até colocar fogo em sutiãs em praça pública. Depois, veio a briga por equiparação de salários em relação aos homens, pelo fim das barreiras para ingressar em certas universidades, empresas e níveis de carreira. E a mulher chegou ao século 21: inserida no mercado de trabalho, ocupando postos de comando em empresas, países, organizações mundiais, e com direitos garantidos por lei. Mas certa de que há ainda um longo caminho a percorrer até conquistar todas as condições para avançar sem precisar enfrentar barreiras.

Ganhar a autonomia financeira, claro, é parte desse projeto. Ela começa com uma carreira bem planejada, com a aceitação de desafios que levem à satisfação profissional e a rendimentos capazes de proporcionar uma vida tranqüila no presente e no futuro. Isso vale tanto para quem é funcionária de uma empresa quanto para profissionais liberais ou empresárias. Mas, além de saber ganhar, essa mulher já notou que precisa adquirir informações e conhecimento para multiplicar seu capital. Ou seja, precisa saber investir. Por isso, talvez a barreira mais notória que a mulher moderna, já emancipada, dona de seu nariz e de sua conta bancária, esteja ultrapassando, seja justamente a do planejamento de seus investimentos financeiros.

Afinal, dona de 52% das contas bancárias do País, ela já é. “A mulher está aprendendo a avaliar opções, a observar, a tirar conclusões”, comenta a educadora financeira Cássia D’Aquino. “Claro que a maioria ainda precisa avançar muito, mas é um caminho que não tem mais volta. A cada dia ela fica mais bem informada e em condições de não depender mais de marido ou namorado para administrar suas finanças.”

Clube das acionistas – A campanha de popularização das ações, promovida pela Bovespa desde 2002, constatou o avanço feminino no caminho da emancipação financeira. Desde seu início, é evidente o interesse maciço das mulheres para obter mais conhecimento sobre o mercado de ações. A ponto de ter sido criado, em 2003, um braço da campanha voltado especificamente para elas: o Mulheres em Ação, sob coordenação de Angela Barros e Inês Bozzini. Levando informação e desmistificando conceitos ultrapassados sobre o investimento em ações, ele tem gerado a participação feminina crescente nesse segmento.Ainda não há dados conclusivos sobre o número de participantes nos clubes de ações que surgiram a partir dessa movimentação, mas a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) detectou o aumento da participação feminina como aplicadora individual nos últimos anos.

Em 2002, representava 17,63% do total. Hoje, é de 21,24%, o que significa que mais de 150 mil mulheres já possuem ações em suas cestas de investimentos. “Essas mulheres estão lendo mais jornal, atentas à política, à economia, aos movimentos do mercado”, comenta a especialista em finanças Sandra Blanco, coordenadora do site MulherInvest.

Outro sinal da intimidade cada vez maior com o mercado de ações: nos últimos três anos, 94 mulheres se inscreveram no curso Formação de Operador no Mercado de Ações, promovido pela Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), ambiente que já foi estritamente masculino. Dessas, 48 foram aprovadas. Em média, as mulheres representaram 13% dos formandos das 17 turmas montadas entre janeiro de 2003 e setembro de 2005 em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Ou seja, também ganham cada vez mais terreno dentro das corretoras, influenciando decisões.

Vida de longo prazo, investimento idem – A necessidade de a mulher brasileira tomar as rédeas de suas finanças é inquestionável. Para começar, 25% delas são chefes de família. Além disso, a mulher brasileira vive mais que os homens: são 75 anos e quatro meses contra 67 anos e seis meses. Os idosos, hoje, são majoritariamente mulheres. Por isso, a ala feminina já percebeu que precisa construir hoje o pé de meia que utilizará no futuro. Outro dado: apesar de o desemprego ter recaído mais sobre a mulher nos últimos anos, segundo o IBGE, também é fato que o contingente de ocupadas na população feminina ativa de 37,4 milhões de brasileiras também subiu. Ou seja, com vida mais longa e mais ocupação remunerada, essa mulher precisa pensar muito bem em cada passo que dá no caminho dos investimentos. E as ações estão cada vez inseridas nesse conjunto de opções, por gerarem lucros consideráveis, especialmente no longo prazo. De bobas, as mulheres nunca tiveram nada... agora só começam a se informar mais e colocar a teoria em prática.

A Bovespa realizou uma pesquisa extensa sobre as mulheres e os investimentos financeiros. Confira no site www.bovespa.com.br/mulheres.

 
"O Mulheres em Ação e a educação financeira"


Criado especificamente para informar e incentivar a mulher a investir no mercado de ações, o Mulheres em Ação, braço do programa Bovespa Vai Até Você, tem ganhado cada vez mais força no universo feminino do País. As palestras e cursos promovidos chegam aos clubes, empresas públicas e privadas, universidades, corretoras de valores – e são sempre um sucesso!

O motivo: eles incentivam e promovem a educação financeira da mulher. “Nós acreditamos que só entendendo bem os mecanismos para ganhar, gastar e guardar dinheiro a mulher pode dar passos maiores e fazer opções realmente conscientes na hora de investir”, afirma Angela Barros, coordenadora do programa, ao lado de Inês Bozzini.

Juntas, as duas semeiam educação financeira por todo o País. Dessas palestras, aliás, muitas vezes surgem clubes de ações exclusivamente femininos, uma tendência que ganha força em diversas capitais. “Oferecemos este serviço gratuitamente, porque nossa maior remuneração é ver a mulher brasileira mais confiante, segura e preparada para gerir o próprio dinheiro”, completa Inês.
 

Minha história com as ações


  • Rosa Maria M. Oliveira
    Rosa Maria M. Oliveira

    “Nunca tive muito gosto pela ousadia. Sou química, e eu e meu marido levamos uma vida regrada, sempre fizemos nossas economias, mas nada que fosse além de aplicações em fundos de renda fixa. Até que soube da possibilidade de aplicar parte do meu dinheiro do FGTS em ações da Petrobras. No início, nem dei atenção. Para mim, esse tipo de investimento era para pessoas com muito dinheiro, e, além disso, com total possibilidade de arriscar o capital sem perder o sono. Mas, algumas semanas depois, concluí que nada poderia ser pior que ver o dinheiro do FGTS lá, quase parado, com um rendimento abaixo de qualquer expectativa. Então, mesmo cheia de receios, comprei algumas ações com o meu fundo. Confesso: para mim era uma aventura, algo como participar de um esporte radical depois de ser comedida a vida toda.

    Só que o resultado foi bom, tive lucro, e por isso, quando o governo ofereceu a compra de ações da Vale do Rio Doce, nos mesmos moldes, aceitei rapidamente. Fiz uma aplicação ainda mais alta, e, pelos meus cálculos, o valor já quintuplicou. Depois falaram em ações do Banco do Brasil, e eu já me preparei para comprar também – mas infelizmente os papéis não foram oferecidos. A verdade é que fiquei tão animada que, no ano passado, também investi no PIBB, apesar de muita gente me aconselhar a ter cautela. Foi mais um passo ousado, mas já comemorei um rendimento de mais de 30%!

    Sim, eu sei que por enquanto só tive boas experiências com as ações, mas sempre procuro estar preparada para as fases ruins, que certamente surgirão. Faz parte. Alguém já disse que investir em ações é também um exercício de paciência e humildade. Sei que as grandes altas não me deixam rica nem as grandes baixas me deixam pobre. É só questão de ter calma e tomar a atitude certa na hora certa. Estou me informando e quero cada vez aprender mais, porque esse dinheiro é meu pé de meia para quando eu deixar definitivamente de trabalhar. Não quero muita coisa, mas planejo caprichar ainda mais a minha casa, que fica em um condomínio fechado, no interior de São Paulo, e ter um imóvel na praia, para passar parte da semana ou do mês. É um sonho possível, que posso realizar se souber lidar com meu dinheiro.”


  • Patrícia Pecoraro
    Patrícia Pecoraro

    “Se alguém tivesse me explicado antes como funcionava, eu certamente já teria adotado há mais tempo esse tipo de investimento. Acho que na vida a gente sempre tem que arriscar um pouco, tomando o cuidado de ser responsável, de não arriscar o que é prioritário. Por isso, quando surgiram os clubes de investimento femininos e eu vi a oportunidade de colocar apenas R$100,00 por mês nessa aplicação, adorei. A gente gasta R$100,00 muitas vezes em tolices, o que custa reservar essa quantia para investir no futuro? Fui em frente, com a consciência de que estava entrando nesse novo mundo com cautela. E, além do mais, adoro tudo o que é feito coletivamente, inclusive investimento! E o clube era justamente o que eu precisava.

    Fiquei tão animada que comecei a falar disso para amigas, colegas de trabalho, parentes. Alguns torceram o nariz. Outras chegaram até a cogitar a possibilidade, mas foram barradas pelos maridos, que não aceitaram a idéia de ver a esposa se metendo com investimentos da família – especialmente mexendo com algo que é considerado risco. Mas teve gente que se animou, foi atrás de informação e me procurou para tirar algumas dúvidas. Até minha sogra anda pensando nisso, apesar de ainda não ter desistido da caderneta de poupança.

    Mas é tudo uma questão de tempo. A gente começa a entender como o investimento em ações promove o desenvolvimento de empresas, do país. Depois, aprende a controlar a ansiedade, a nunca ver altas e baixas como definitivas e a planejar melhor nossos passos. E vai mudando a mentalidade de quem está por perto. Meu marido, por exemplo, recebeu com relativa tranqüilidade minha ousadia financeira, porque, afinal, avisei que só ia colocar R$100,00 por mês. Mas outro dia ele me surpreendeu. Como me aposentei oficialmente – apesar de continuar trabalhando – pude retirar meu FGTS e surgiu a possibilidade de diversos investimentos. Sabe o que ele me aconselhou? “Coloca uma parte nas ações”. Pois foi o que eu fiz!.”
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