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Um investidor de longo prazo
Guilherme Affonso Ferreira
Carteira complexa e variada
Apaixonado por investimentos de longa maturação, Guilherme Affonso Ferreira tem em sua carteira US$ 300 milhões em ações de empresas como Unibanco, Eternit, Bradespar e Santista. Sua cesta de papéis, sempre em posições de peso que permitem participar de Conselhos de Administração ou dar opiniões aos controladores, tem tido uma rentabilidade média, segundo ele, de 60% a 70% ao ano. O segredo para atingir tal patamar? "Nosso objetivo é sempre o longo prazo", diz Ferreira. "Olhamos para setores de atividade em que o mercado, por razões conjunturais, esteja avaliando mal", continua. "Nosso alvo é a empresa e seus produtos. Acompanhamos o mercado para encontrar os pontos de compra e de venda."

Ferreira, que já teve negócios como uma revendedora Caterpillar e a franquia Arby's, preferiu se concentrar nas suas participações minoritárias. "É uma carteira complexa e variada, mas ao mesmo tempo simples de analisar, porque dá a possibilidade de entrar e sair com relativa facilidade." A posição mais recente, a Bradespar, já tem três anos de duração. Nessa companhia, ele é o terceiro maior acionista em ações ordinárias depois do controlador e do Grupo Espírito Santo, com 2% do capital. A sua participação mais antiga é no Unibanco, do qual é acionista há 20 anos - tem 5% do capital da Unibanco Holding - e obteve mais de 40 vezes o que investiu inicialmente.

Independente dos humores de mercado, Ferreira procura avaliar o negócio da empresa. "Às vezes, os fundos estrangeiros estão vendendo, mas o setor vai de vento em popa. A lógica macro pode destoar da micro." Ele procura sempre ter participações minoritárias, mas em que consiga ter algum grau de interferência na empresa. "Queremos contribuir para um pouco de turnaround", diz. "Quando compramos uma participação, procuramos identificar o que está levando a empresa a ser mal avaliada pelo mercado." Muitas vezes, ele identifica a falta de entendimento entre os acionistas e os administradores. "Gestores e investidores podem não estar na mesma sintonia", diz. Ao praticar o ativismo, Ferreira diz buscar olhar o que a empresa pretende e do que precisa.

No caso do Unibanco, por exemplo, a questão de escala era fundamental. Ferreira resolveu se juntar à Unibanco Holding. Assim, o controlador, que antes tinha 56% das ações ordinárias do banco, passou a exercer o controle com 90% de participação. Ou seja, para fazer com que o banco cresça sem perder o controle, a família Moreira Salles precisa colocar muito menos capital do que na estrutura acionária anterior. No caso da Eternit, Ferreira batalhou para ter uma política de dividendos. Em cinco anos, multiplicou seu investimento por seis - fora os dividendos pagos, que equivalem a duas vezes o que pagou pela sua participação.

Mas nem sempre Ferreira acertou nas suas previsões. O longo prazo, diz, não é garantia de sucesso se o setor ou a empresa em questão não tiver um bom desempenho. Foi o caso da Coldex Frigor. No final dos anos 80, ele avaliou que o negócio de refrigeração tinha um desempenho mundial muito superior à média da economia. Mas a Coldex, diz, não reagiu à abertura econômica e definhou. Ferreira ficou com a posição por cinco anos e perdeu dinheiro.

Se no longo prazo o comportamento dos papéis tende a acompanhar os fundamentos da empresa, é preciso de um mínimo de liquidez para que isso se torne realidade. Como Ferreira muitas vezes adquire participações em companhias fora da lista das blue chips, ele costuma atuar como uma espécie de "market maker informal", como ele mesmo se define. Dessa forma, atua marginalmente como comprador e vendedor para ganhar nas altas e baixas e dar liquidez ao mercado.
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