Carta ao Leitor
Agenda econômica e a Bolsa
Os editores
Em entrevista publicada nesta edição, o economista Fábio Giambiagi, do Ipea, ajuda a entender os desafios que o Brasil terá de enfrentar para crescer em velocidade semelhante à dos demais países emergentes. E o primeiro é ter consciência de que além da melhora do estado da economia, a retomada depende de reformas e só o Poder Executivo pode liderá-las. O segundo é que a questão mais premente diz respeito aos gastos do INSS, que alcançaram um ritmo insustentável de crescimento e impõe mudança de regras, dado o aumento real do valor das aposentadorias vinculadas ao salário mínimo.

Na agenda do governo que tomará posse em janeiro, o mercado de capitais terá papel decisivo. Com a queda dos juros, o cidadão comum "viciado em aplicar com lastro em títulos públicos", como afirma Giambiagi, tenderá a investir mais em ações. O programa de popularização do mercado liderado pela Bovespa se antecipou à diminuição do juro. Há, assim, pontos relevantes em comum entre as agendas do País e do mercado acionário. As condições são favoráveis para o aumento do número e do poder dos acionistas minoritários, que chegam a um mercado com melhor governança corporativa, papel crescente do Novo Mercado e percepção pelas empresas do papel social que devem desempenhar. As entidades de previdência complementar, que investem em ações, ajudarão a desonerar a sociedade da generosa previdência pública.

Abrindo suas portas, investindo em projetos de educação de investidores, apresentando o mercado de ações aos mais diversos públicos e incentivando o tratamento equânime aos acionistas, a Bovespa aprofunda sua integração com a sociedade e permite que as pessoas percebam a identidade entre a agenda da Bolsa e a agenda do País.
[-] voltar