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Sócios da ativa
Jorge Salgado e José Henrique D'Elia: otimistas com as ações |
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A corretora Ativa - com sede no Rio, uma forte mesa de operações na filial de São Paulo e outra base em Curitiba - decidiu aumentar seus investimentos no segmento acionário. "Tenho uma perspectiva otimista para as ações", afirma seu fundador e diretor principal, Jorge Salgado. "O estoque de poupança aplicado em ações ainda é muito pequeno comparativamente ao de outros investimentos, da ordem de 10% do total", nota ele. "A tendência é que haja uma migração consistente para ações, à medida que as taxas de juros declinam". Além do mais, "se o Brasil tiver êxito na política macroeconômica, vamos nos tornar investment grade (ser graduados pelas agências de rating para receber aplicações) e os investimentos, tanto na Bolsa de Valores como na BM&F, vão aumentar bastante, com maior participação dos estrangeiros e das pessoas físicas", assinala o diretor da Ativa, que é também membro do Conselho de Administração da Bovespa e presidente do Sindicato de Corretoras e Distribuidoras do Rio de Janeiro (Sindicor-RJ), além de ter sido conselheiro da Bolsa do Rio.
Salgado tem uma longa tradição em ações. Começou em 1964, no Rio, na Invesco, uma companhia de crédito e financiamento que tinha uma área destinada a ações. O controlador da Invesco era um personagem conhecido - Jorge Paulo Lehman, com quem Salgado rumou, mais tarde, para a corretora Libra, antes do nascimento do grupo Garantia, constituído por Lehman e que se tornou uma das maiores companhias de investimento do País. Salgado deixou a Libra para formar a corretora do Banco Safra no Rio, depois passou para a Ney Carvalho - onde permaneceu dez anos - e, a seguir, para a corretora Delmonte, de onde saiu para fundar a Ativa, em 1983.
Em 19 de setembro, a Ativa chega aos 23 anos com 170 funcionários, em grande parte jovens que nela ingressaram como estagiários, lá aprenderam o ofício e se profissionalizaram, especializando-se em operações estruturadas e em mercados de alta volatilidade, enfatiza um dos diretores da corretora em São Paulo, José Henrique D'Elia, o Tato.
Até agora, a Ativa centrou sua atuação em cerca de 200 clientes de grande porte, nos mercados da Bovespa, BM&F e em títulos públicos. Sua participação no segmento de títulos públicos permitiria que ela se tornasse uma das empresas dealer do Banco Central, ou seja, que negociasse papéis em nome do BC, diz D'Elia. "Mas é melhor ser um grande broker (operador) do que um pequeno dealer", acredita ele. Além do mais, "não operamos com carteira própria em nenhum mercado", conforme as regras internas de gestão. Ou seja, a corretora prefere evitar riscos, optando por uma gestão conservadora.
No setor de títulos públicos, a corretora opera com LFTs, LTNs e NTNs. À medida que diminuíam as operações com papéis corrigidos pelo câmbio, passou a dar ênfase aos mercados de dólar futuro, opções de dólar e Fra - que combina dólar e juro. "Em Bolsa, somos muito fortes em aluguel de ações e estamos montando uma área de pesquisas, chefiada pelo economista Arthur Carvalho Filho, analisando tanto os aspectos macroeconômicos como empresas". Mas, em vez de centrar os esforços nas companhias mais conhecidas, a Ativa pretende pesquisar empresas menores.
Pessoas físicas - O programa de popularização da Bovespa está levando a Ativa a ampliar sua atenção sobre o mercado acionário. Uma das iniciativas da corretora é a criação de uma área de private em São Paulo, destinada a grandes clientes que se sentem mais atraídos pelo mercado acionário. Outra é uma apresentação sobre ações em Foz de Iguaçu, preparada pela corretora com vistas aos investidores paranaenses, no âmbito dos programas de visitas da Bolsa de Valores de São Paulo.
"Estamos criando condições para crescer com consistência", afirma Salgado. Além dos grandes investidores, a corretora começa a disputar uma área mais pulverizada, o segmento de pessoas físicas de renda média, que está "descobrindo" o mercado acionário. Para isso, ingressou no segmento do Home Broker (destinado aos pequenos investidores que querem operar de casa) e está montando clubes de investimento. "Até agora, administramos 26 clubes, com patrimônio da ordem de R$ 20 milhões", afirma a administradora Sílvia Werther, que atua na sede da Ativa, no Rio. Os principais clubes geridos são o AíVale, com patrimônio de cerca de R$ 4 milhões e 300 cotistas, concentrados em Vitória, onde o clube nasceu, e o Investbrás. Uma parte do programa consiste em visitas a subsidiárias e coligadas da Vale, em Itabira, São Luís e Carajás. Outra viagem está programada para conhecer a hidrelétrica de Itaipu e montar, em Foz do Iguaçu, um clube de investimento, para o qual já existem 140 adesões e que será compartilhado com a gestora Ático. "Os demais clubes são familiares ou são formados por grupos de pessoas próximas, como dos alunos da Pontifícia Universidade Católica (PUC)", informa Sílvia. |
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