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| Em Foco |
| Tecnologia da Informação traz ações para o pregão |
| Theo Carnier |
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Empresas do setor obtêm recursos no mercado para crescer e fazer aquisições
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| Jorge Steffens
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| Atraindo investidores para ativos intangíveis |
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Quando se pensa num setor com enorme potencial de crescimento, que precisa sempre se renovar para acompanhar o desenvolvimento tecnológico e atender a uma demanda crescente, não há como errar: é o de Tecnologia da Informação (TI). Com movimento superior a US$ 1 trilhão no mundo, o segmento cresce em ritmo vertiginoso, baseado em inovações cuja intensidade raramente é observada em outras áreas. No Brasil, o setor já ocupa lugar de destaque e tem muito a crescer. Seu faturamento de US$ 11,9 bilhões, em 2005, foi 24% superior ao de 2004 e representa cerca de 1,5% do PIB, segundo levantamento da International Data Corporation (IDC). O resultado levou o País ao sexto lugar no ranking mundial. Mas para continuar competitivo terá de investir mais, evitando defasagens que, no setor, podem significar o fim de uma empresa. O segmento precisa se capitalizar e, também no Brasil, o mercado de capitais tende a ser um parceiro de importância vital.
Apenas em 2006, duas empresas de TI lançaram ações na Bovespa - a Totvs, holding que concentra Microsiga e Logocenter, e a Datasul, ambas fabricantes de softwares empresariais. O resultado das operações foi positivo. Além disso, segundo analistas, os lançamentos "despertaram" o mercado para a importância da Tecnologia da Informação, que reúne hardware (equipamentos), software (programas de computador) e serviços.
"O setor está sempre em ebulição", afirma Jorge Sukarie, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), que encomendou à IDC uma pesquisa para dimensionar o segmento no País. "Em TI é preciso inovar o tempo todo, porque a tecnologia evolui e a demanda cresce e se diversifica. Por isso, é necessário pesquisar e é preciso ter capital. Felizmente, o segmento está descobrindo que o mercado de capitais é uma fonte importante para se capitalizar a custo compatível."
Abrindo caminho - O lançamento de papéis da Totvs e da Datasul tem um significado adicional: depois da "bolha" do setor de internet, nos Estados Unidos, em 2000, algumas empresas e investidores ficaram temerosos. Mas o crescimento do mercado brasileiro ajuda a quebrar resistências. Outras empresas que "gravitam" em torno de companhias de TI também se animaram a buscar a Bolsa, como o UOL, principal portal de mídia on-line, e o Submarino, líder do ranking de empresas que operam exclusivamente no varejo eletrônico.
"Cada vez mais setores da economia dependem de TI para crescer e se aperfeiçoar", lembra Sukarie. "É cada vez maior a dependência desses segmentos em relação à TI e por isso o setor precisa ter capital para investir e se aperfeiçoar, atendendo a essa demanda. O mercado de ações tem se mostrado o caminho ideal para essa expansão."
A estratégia da Totvs confirma essa importância. Segundo o vice-presidente de Relações com Investidores da empresa, José Rogério Luiz, "estar presente no mercado de ações, principalmente no Novo Mercado da Bovespa, coloca em evidência qualidades essenciais para o relacionamento com os clientes, como transparência, além de mostrar para o mercado a estratégia de longevidade".
O presidente da Datasul, Jorge Steffens, reforça a importância de ter ações no mercado: "Pensávamos lançar ações há anos e decidimos tomar a iniciativa este ano. Foi uma medida de sucesso. Conseguimos recursos para nossos planos de crescimento, que incluem aquisições, e encontramos também uma forma de reforçar a companhia, em um momento de sucessão".
Sem ativos - Ao optar pelo Novo Mercado, a Datasul aderiu à transparência, o que ajuda a dar impulso aos negócios: "Ganhamos confiança de clientes e do mercado em geral. Foi uma iniciativa que vai ajudar até na obtenção de crédito bancário, se necessário, já que os bancos terão como garantia números de um balanço auditado e que obedece normas rígidas de transparência".
Ele considera esse ponto de importância vital, pois os ativos das empresas de TI são, em geral, intangíveis. "Não temos bens materiais para oferecer como garantia, o que gerava insegurança dos investidores", diz Stefrens. "Agora, com a presença na Bolsa, somos reconhecidos como empresa comprometida com a governança corporativa, com força e potencial de crescimento."
Trata-se de uma mudança importante para as empresas de TI, como reconhecem analistas do mercado de capitais. Como o setor é novo (deu seus primeiros passos no Brasil nos anos 80), não oferecia parâmetros para o acompanhamento dos resultados. "Com os lançamentos de ações, já há maneiras para balizar o preço, o que é fundamental para o setor", afirma Walder Nogueira, analista do Santander.
Para o analista da Coinvalores Marco Aurélio Barbosa, o setor de TI ganha força à medida que os parâmetros se formam. Com eles, as empresas do setor reforçam sua presença na Bolsa e atraem mais capital. "Em um setor que precisa investir sempre em pesquisa para continuar forte, os recursos obtidos no mercado de ações são fundamentais. E podem ser utilizados também em fusões e aquisições, uma das tendências mais fortes do setor de TI."
Barbosa lembra que a consolidação está sempre na pauta quando se trata de tecnologia da Informação. Nesse setor, o turn-over de empresas é grande, em conseqüência das necessidades criadas pelo desenvolvimento tecnológico, que, freqüentemente, torna obsoletas companhias que se destacavam. Além disso, as empresas de TI optam constantemente por adquirir outras, para conquistar "fatias" específicas de novas tecnologias, não só para atender à demanda diversificada, mas também para se fortalecer via aumento do portfólio de soluções oferecidas.
"A solução de hoje pode perder sentido a curto prazo no mercado de TI", lembra Sukarie. "Por isso, é preciso inovar sempre. As empresas que abriram capital na Bolsa têm condição de adotar essa estratégia, porque conseguem levantar recursos a custo vantajoso e podem, dessa forma, fazer investimento em inovação". Ele prevê que essa necessidade vai aumentar, com as estimativas de crescimento do setor para atender à demanda: "A expectativa é que a TI cresça nos próximos dois anos mais do que cresceu nos cinco anos anteriores".
No radar do investidor - Há espaço para esse crescimento em vários segmentos de TI, acredita o diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Ideiasnet, Rodin Spielmann. A Ideiasnet foi pioneira no setor ao lançar ações na Bolsa, em 2000. "Criamos uma holding de participação em empresas de TI, para aproveitar a euforia da internet", afirma. "Logo veio a retração desse mercado, mas estamos vivendo um momento de retomada, desde que o Google lançou ações no mercado e reforçou a importância do mercado de capitais para as empresas de vários países que atuam no setor".
Spielmann nota que com o lançamento de ações de empresas como Datasul, Totvs, UOL e Submarino está se formando um "novo setor" na Bolsa: "Tecnologia da Informação já começa a ser uma realidade no mercado de ações. Já é possível conversar com investidores e analistas tendo parâmetros de comparação. A tendência é crescer, com a escala que vai se formando. O segmento entrou no radar de vários fundos e de investidores em geral".
Com impulsos como esse, a previsão é que a TI continue a crescer nos próximos anos. A Associação das Empresas de Software avalia que a área cresça pelo menos 9% ao ano, nos próximos anos, e que o software tenha crescimento de 14% anuais. A estimativa é que, além de crescer, o mercado se modifique. Atualmente, existem mais de 7 mil empresas que atuam em software, a grande maioria de pequeno porte e de capital brasileiro. Levando em conta as características do setor, a consolidação deve acontecer, com diminuição do número de empresas. Tendem a se firmar as que tiverem condições de oferecer diferenciais e de acompanhar as demandas do mercado, o que requer capital.
Esse foi um estímulo para as empresas que trabalham em TI abrirem o capital. O UOL planejava lançar ações desde 2000 e tomou a decisão em fins de 2005. "A operação foi um sucesso", avalia o diretor de Relações com Investidores da empresa, Paulo Narcélio, explicando: "Nessa área é importante ter caixa para se fortalecer em relação à competição. Estar na Bolsa permite a obtenção desses recursos a um custo mais baixo. O mercado de capitais é um parceiro dessas empresas e ajuda a tornar o setor atraente".
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Os recursos obtidos no lançamento ajudaram o UOL a se fortalecer: "Ter capital é importante quando se fala em um mercado como o nosso, em crescimento e muito competitivo. No ano passado, por exemplo, tivemos aumento de 31% em publicidade no UOL. O mercado de internet vai continuar a crescer, principalmente com a expansão da banda larga e as empresas que atuam na área precisam estar preparadas para esse avanço".
O mesmo raciocínio levou a Submarino à Bolsa, no ano passado. O diretor de Relações com Investidores, Martin Escobari, enfatiza: "Foi difícil, porque o investidor não conhecia a empresa e o mercado. Mas a operação deu certo". Com os recursos da operação, a Submarino saldou uma dívida superior a R$ 100 milhões. Também houve ganhos com a adoção da política de transparência. "Nosso balanço auditado e transparente nos deu força e pudemos diversificar para crescer, oferecendo venda pela internet de ingressos para espetáculos e viagens, por exemplo."
Bolsa é a tendência - Mais empresas de TI tenderão a abrir o capital, acredita Barbosa: "Essa é uma opção importante. Esse quadro já aconteceu nos Estados Unidos e vai se fortalecer também no Brasil, porque o mercado de capitais é uma fonte de recursos vantajosa para um setor que precisa sempre investir, como é o de TI".
O analista da Coinvalores afirma que a área de TI vai optar pela Bolsa para reduzir seu custo de capital.: "Foi assim nos países desenvolvidos. Pelo perfil de risco das empresas de Tecnologia de Informação, os bancos resistem a fazer financiamentos às companhias do segmento. Por isso, não há como escapar desse quadro também no Brasil. É preciso lembrar que a Microsoft, maior empresa de software do mundo, foi alavancada pelo mercado de ações".
A importância desse impulso será maior porque mais empresas dependem da Tecnologia da Informação para crescer e ganhar produtividade, acrescenta Barbosa: "Vários setores passam a depender de TI, independentemente do índice de crescimento econômico. A demanda por serviços nessa área vai continuar crescendo no Brasil, mesmo que o Produto Interno Bruto não dê saltos".
A Bolsa tem um significado a mais para a TI, segundo Sukarie: "Além de fonte de recursos, é uma excelente oportunidade de negócios para o setor. Com a popularização do mercado de ações, tem crescido o número de investidores pessoas físicas e com isso é preciso criar soluções para esse novo aplicador. O investidor quer, cada vez mais, comprar e vender ações pela Internet com segurança. Para atendê-lo, a área de Tecnologia da Informação cria produtos. Como a demanda do investidor em ações não pára, forma-se mais um mercado interessante e lucrativo para TI". |
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