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Inclusão Social |
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Ciências incentivam Estudantes |
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Aulas Experimentais
Ricardo Caparros (ao centro) e seus alunos do ABC |
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Em apenas três dias, 600 alunos de escolas públicas de São Bernardo do Campo, com idade entre 14 e 19 anos, inscreveram-se na Academia de Ciências, um projeto inovador do Instituto Fernand Braudel para estimular a criatividade e o desenvolvimento científico em regiões de baixa renda. O interesse foi maior do que imaginavam os organizadores. "Os alunos estão ávidos para aprender, não têm onde escoar sua energia e criatividade", afirma o coordenador do projeto, Ricardo Pasin Caparros, formado em Biologia Marítima, especializado em Educação Ambiental e que está concluindo o mestrado em Educação. Junto com três estagiários, ele se lançou de corpo e alma num projeto voltado para a inclusão social.
A Academia de Ciências nasceu de um encontro, em novembro de 2005, para discutir os rumos do estudo de ciências nas escolas públicas de São Paulo. Dele participaram os educadores Leopoldo Demeis, Laerte Sodré e Shigueo Watanabe - organizador, no Brasil, das Olimpíadas de Matemática, um concurso mundial destinado a identificar novos talentos.
A criação da academia partiu da constatação da deficiência das escolas no ensino de Ciências da Natureza, Química, Física e Biologia. Com o apoio da Fundação GE, do Instituto Sangaria e da Fundação Vitae, a idéia saiu do papel em janeiro. E, para ganhar corpo, seguiu várias etapas: seleção dos conteúdos dos Parâmetros Curriculares Nacionais, apoio da diretoria de Ensino Estadual de São Bernardo do Campo, formação da equipe de trabalho e adesão de três escolas - Nail Franco de Mello Boni, Marco Antonio Prudente de Toledo e Santa Olímpia - que cedem as instalações e oferecem a oportunidade aos próprios alunos.
A última etapa foi a do recrutamento: 1.400 alunos da 8ª série do ensino básico até o 3o ano do ensino médio foram convidados para participar da Academia de Ciências. Caparros e sua equipe percorriam cada sala de aula e propunham um experimento sobre a força de gravidade, empregando uma garrafa de refrigerante hermeticamente fechada e uma corda. Cada aluno tinha de dar uma explicação para o efeito dos movimentos da garrafa sobre a posição da corda. E cerca de 200 alunos, em cada uma das três escolas, responderam à questão. Hoje, mais de 200 comparecem às aulas experimentais, durante as aulas regulares ou em grupos fora do horário escolar. "Muitos gostariam de participar mas não podem porque trabalham no horário dos experimentos".
Em cada escola há um projeto em desenvolvimento. Numa, é a construção de um protótipo de casa ecológica, com energia solar, receptação de água de chuva, uso de biodigestores e coleta seletiva. Noutra, a construção de um cão de guarda eletrônico, apelidado de Robocão - um equipamento de mecatrônica que se locomove por sensores e dispara um som em caso de alarme - o do latido de um cão. Na terceira, a construção de um barco que flutua com bolsas de ar (overcraft), comum nos canais de Miami e no Rio Tâmisa, em Londres. Os projetos deverão estar prontos até outubro para serem apresentados, em novembro, numa feira de ciências que será promovida pela Escola Santa Olímpia.
Patrícia Guedes, do Instituto Fernand Braudel, mostra que a experiência já deu frutos. "Além das atividades previstas, outras surgiram do diálogo com os alunos e foram incorporadas ao escopo do projeto, caso dos projetos no campo da Astronomia e Astronáutica, onde os jovens tiveram a oportunidade de formar grupos de estudos sobre esses assuntos e realizar observações astronômicas para identificação dos corpos celestes." Pela primeira vez, eles participaram, em maio, da IX Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica. |
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