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Lição de casa para o Brasil crescer
 
Que o maior problema econômico brasileiro é o crescimento medíocre, comparado ao crescimento do mundo, não há quem discuta. A questão é definir como crescer - e as lições dos economistas Armando Castelar Pinheiro e Fábio Giambiagi estão no livro Rompendo o Marasmo - A Retomada do Desenvolvimento no Brasil, editado pela Campus. É leitura obrigatória para os próximos governantes, pois as questões centrais passam pelo Estado. No prefácio, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga dá uma idéia das dificuldades: "Ainda vemos no debate nacional posições frouxas em relação à estabilidade macroeconômica, dúvidas quanto às vantagens de uma ampliação da integração à economia global, sonhos com a volta a um modelo de inversão liderado pelo governo, descaso com a importância de um marco regulatório moderno e transparente, e assim por diante".

Ao tratar do que precisa ser feito, os autores citam Woody Allen - "o futuro me preocupa, porque é onde penso passar o resto da minha vida". Ou seja, é para que filhos e netos possam ter um bom futuro que o texto, em última forma, foi escrito. O capítulo 1 começa com uma frase de Norberto Bobbio: "A democracia tem a demanda fácil e a resposta difícil". E este é um obstáculo a mais, de que só os autoritários reclamam.

Trata-se de uma obra tanto didática como sociopolítica. Mostra que o desenvolvimento não se dá aos saltos; que o Brasil precisa se livrar da cultura do "coitado", optando pela cultura do vencedor; que nada mais errado do que classificar a classe média como elite; e que o patrimônio nacional não é o "jeitinho", mas a capacidade de competir. O Brasil, afirmam os autores, vive os problemas de uma transição incompleta. Além disso, muitos ainda acreditam que "o Estado encolheu", quando, na verdade, aumentaram os gastos públicos como proporção do PIB - ou seja, o Estado aumentou.

Regras previdenciárias mais rígidas, redução do assistencialismo, normas estáveis, redução da dívida pública, maior segurança jurídica são caminhos óbvios para aumentar o ritmo do crescimento. Um capítulo especial foi escrito por Sérgio Guimarães Ferreira e Fernando Veloso sobre a educação - indispensável para reduzir as desigualdades de renda e de oportunidade. Uma citação de John Kenneth Galbraith abre o último capítulo: "Um economista nunca deve ter medo de idéias impopulares". Quem procura amenidades deve evitar a leitura do livro, escrito para estadistas. (F.P.J.)

 
Rompendo o Marasmo - A Retomada do Desenvolvimento no Brasil
Elsevier e Campus
301 págs.
 
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