Novo Mercado
Ações do Banco do Brasil atraem Investidores
 
Rossano Maranhão
Participação maciça das pessoas físicas
A participação do investidor pessoa física na oferta pública de ações realizada no final de junho pelo Banco do Brasil surpreendeu positivamente. Segundo estimativas, mais de 50 mil pessoas compraram papéis do banco, e, desse total, aproximadamente 30 mil fizeram sua primeira compra de ações. Essa foi a resposta à decisão do BB de focar a governança corporativa como forma de atrair os pequenos aplicadores. "Quanto mais respeito aos acionistas, mais investidores devem ser atraídos, criando dessa forma um ciclo virtuoso", afirma Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de Finanças e de Relações com Investidores da instituição.

A operação de colocação de ações do BB ocorreu num momento de fortes oscilações em bolsa. Ainda assim, a demanda superou a oferta em 30%, de acordo com analistas. E poderá render até R$ 2,3 bilhões. Apenas as pessoas físicas demandaram um volume da ordem de R$ 700 milhões, de acordo com informações de representantes de instituições que participaram da operação, em estimativas feitas no final de julho.

A operação marcou o ingresso do Banco do Brasil no Novo Mercado da Bovespa, do qual participam empresas que têm o mais elevado grau de governança corporativa. O BB foi a primeira empresa do governo federal (o Tesouro Nacional detém 72% do capital da companhia) a entrar no Novo Mercado e anunciou essa iniciativa no ano em que comemora 100 anos de listagem em Bolsa.

O presidente do banco, Rossano Maranhão, deu ênfase ao fato de que não houve incentivos adicionais à compra dos papéis, como o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que pôde ser aplicado, no passado, na aquisição de ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce. "Mesmo sem esses incentivos, houve participação de um número substantivo de pessoas físicas na operação", notou Maranhão.

Com esse contingente novo de pequenos investidores, o BB considera ainda mais importante o aperfeiçoamento da governança corporativa. "A adesão ao Novo Mercado implica novos padrões de governança, transparência e respeito aos acionistas minoritários", afirma Aldo Mendes, vice-presidente de Finanças e RI do banco. "Quanto mais se desenvolvem essas práticas, mais pessoas acompanham o desempenho da companhia, demandando informações e transparência".

Para Raymundo Magliano Filho, presidente da Bovespa, a operação do Banco do Brasil tem forte valor simbólico, ocorre no centenário da negociação das ações do banco no mercado. Além disso, o BB foi um dos financiadores, no final do século XIX, da construção da Bolsa de Valores de São Paulo.

Encontro com o investidor - O BB foi também o primeiro a realizar um evento sobre oferta pública de ações dentro do "Encontro com o Investidor", promovido pelo Instituto Nacional de Investidores (INI). A apresentação foi realizada especialmente para o público leigo e contou com participantes de clubes de investimento, clientes de corretoras e associados do INI. No encontro, representantes do BB explicaram em pormenores a oferta pública, a estratégia e os resultados da instituição. Entre os participantes da apresentação, 80% não eram acionistas do banco e 40% nunca haviam aplicado recursos numa operação de lançamento de ações.

O BB pretendia ampliar o número de acionistas e a liquidez de seus papéis negociados em bolsa. Por isso, a participação das pessoas físicas foi vista como crucial. "A participação desse investidor como acionista é muito importante", ressaltou Mendes. "Ela possibilita à companhia otimizar sua estrutura de custos e investir na expansão dos negócios, remunerando o acionista e transferindo riqueza para a sociedade em geral, por meio da geração de empregos e pagamento de impostos."
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