Perfil
Um mercado ético
 
José Estevam de Almeida Prado
Da Administração para o Direito, o desafio de voltar à escola
A construção de um forte mercado de capitais, com foco no longo prazo, passa pelo aperfeiçoamento da governança corporativa e pelo respeito aos direitos dos minoritários, avalia José Estevam de Almeida Prado, conhecido profissional do setor. Depois de exercer as mais diversas atividades na área, de sócio de empresa corretora a gestor de ativos, passando pela Comissão de Valores Mobiliários e a Secretaria de Desestatização e atuando em parceria com alguns dos maiores grupos empreendedores do País, José Estevam voltou-se, em 1999, para suas raízes - o interesse pelo estudo e a visão aprofundada das questões societárias. Entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e se bacharelou estudando à noite, entre 2000 e 2004, agregando conhecimento jurídico à sua notória especialização como administrador.

José Estevam recebeu da família o estímulo para estudar. Seu pai, Estevam José, foi um dos mais famosos médicos homeopatas do País mas, desgostoso com a falta de apoio à pesquisa, recomendou ao filho o estudo da Agronomia. "Mas não era o que eu queria", observa. Em 1967, chegou a estudar na Escola Luiz de Queiroz, em Piracicaba, mas, em 1968, saiu de lá e ingressou na Escola de Administração de Empresas da FGV, em São Paulo. Nova frustração: no segundo semestre, a escola entrou em greve e José Estevam mudou de classe, em 1969. "Fui trabalhar na financeira São Paulo Minas, passando ao curso noturno da FGV". Uma oportunidade na área de processamento de dados o empurrou, meses depois, para a Ion, revendedora do grupo Caterpillar - onde instalou a primeira rede de teleprocessamento. Em 1971, atraído pelo mercado acionário, associou-se à corretora Santa Fé e depois foi um dos fundadores da corretora Bueno, Vieira, Pereira Lopes.

Os desafios profissionais foram se sucedendo - a Bueno, Vieira foi líder nas operações de underwriting (lançamento de ações). Depois, com Jorge Mehlinger, constituiu uma empresa independente de gestão de ativos, uma 'asset management pura', como a define. No final dos anos 80, associou-se ao grupo Brascan para formar o banco Capital Tech, hoje Banco Brascan. Participou da desestatização e da CVM e, mais recentemente, deu consultoria ao grupo Vicunha.

Hoje, José Estevam decidiu centrar-se no Direito, "onde o campo é muito amplo e há espaços novos". Os investidores demandam responsabilidade corporativa crescente, para atrair os minoritários e evitar os altos e baixos que caracterizaram o segmento acionário nos últimos 40 anos. "A pulverização cria a esperança de que o mercado possa entrar num ciclo em que as empresas bem governadas sobressaiam." Membro da Câmara de Arbitragem da Bovespa e da comissão de listagem do Bovespa Mais, um novo segmento do mercado acionário, ele acredita que, na área jurídica, poderá retomar a batalha pela elevação do nível ético da atividade.
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