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De peso

Depois da crise, remuneração de advogados da área de mercado de capitais e societário retoma escalada

Em 2008, antes da crise financeira internacional, os profissionais especializados em operações como IPOs e outras estruturações, para obtenção de recursos financeiros e em fusões e aquisições, estavam em alta. Com o cenário econômico mais adverso, não chegaram a perder o posto, mas agora, em um contexto mais tranquilo, as suas remunerações retomam o ponto de escalada

Por Andréa Háfez

02|08|2011

Foto: Leonardo Salgado

A volta da intensificação de operações de abertura de capital, de estruturações para emissões de debêntures - entre outras opções para obtenção de recursos junto ao mercado de capitais, fora da esfera dos empréstimos bancários – e o desenvolvimento econômico do país, exigindo a mudança de perfil de suas empresas: de familiares para profissionalizadas, aquece novamente o mercado jurídico especializado no setor. Os advogados de mercado de capitais e societário têm novas oportunidades e desafios, com remunerações e papéis diferenciados em relação a outros setores jurídicos e a outros momentos da profissão.

O perfil desses operadores, porém, não é simples. E seu valor hoje não está mais vinculado apenas ao domínio técnico e de gestão: a sua carteira de clientes, ou seja, o seu lado ‘comercial’, também será relevante nas negociações de remuneração e troca de bancas de advocacia. Isso na frente dos que atuam em escritórios. A avaliação feita é de Giuliana Menezes, Head of Legal Division da Michael Page, empresa de recrutamento especializado em altos e médios executivos.

Em 2008, a economia estava alavancada e esse mercado jurídico acompanhou a movimentação. Já em 2009, no pós-crise, houve mais reposições sem crescimentos expressivos nas estruturas das bancas de advocacia de uma maneira geral. A retomada, com troca de cadeiras de advogados de um escritório para outro, além dos níveis de recuperação, aconteceu já no segundo semestre de 2010 e tem tudo para continuar. “Hoje o foco dos escritórios não é contratar o profissional técnico, mas, sobretudo, os que tenham conhecimento de mercado, contatos, e consigam trazer na mudança a sua carteira de clientes”, afirma a executiva.

Esse movimento está relacionado ao avanço dos escritórios de médio porte sobre as áreas de mercado de capitais e societário. O interesse em trabalhar em parceria com outros escritórios é cada vez menor, enquanto a intenção de criar espaço para todas as áreas na própria banca cresce. “A tendência de se transformar em uma banca full service permanece e, com o aquecimento econômico, que gera a busca por recursos no mercado e a realização de operações de fusões e aquisições, há um favorecimento na procura por advogados dessas áreas”, afirma. “Sendo assim, a estratégia de remuneração está diretamente ligada com o potencial de negócios que o advogado é capaz de gerar aos escritórios."

Na percepção de Giuliana Menezes, o ano de 2011 também vai ser marcado pelas contratações de advogados por empresas. “Principalmente os setores imobiliário e de agribusiness, que estão muito aquecidos, têm buscado a profissionalização de suas empresas. Neste processo, a contratação de advogados tem sido representativa”, afirma.

Os advogados da área de societário ganham um papel estratégico tanto nessas contratações como no caso de multinacionais que querem iniciar operações no mercado brasileiro (start-ups), segundo a análise da executiva. “São feitas parcerias com bancas de advocacia, mas há informações e dados confidenciais que nenhuma empresa quer passar para um escritório que, possivelmente, irá atender a algum concorrente”. Está criado o espaço ideal para ser ocupado por um diretor ou gerente jurídico – com postura sênior, destaca a executiva– no mercado empresarial brasileiro.

“E aqui, não adianta apenas o conhecimento técnico jurídico, é preciso que o profissional tenha uma capacidade de aderência, compreensão, ao negócio, além de um perfil de gestor”. Esses diretores e gerentes jurídicos, normalmente, farão a gestão de serviços jurídicos contratados, mas sobretudo têm que compreender os trâmites dos negócios das empresas. Sinal da importância desses profissionais é que muitos são contratados para se reportar diretamente aos presidentes de empresas.

E hoje, em muitos casos, não só em bancos de investimentos ou em escritórios, como ocorria antes, há uma política mais agressiva de remuneração, com um incentivo de bônus variável. “Há o reconhecimento de que o trabalho do jurídico faz diferença para o resultado da empresa”, afirma a Head Legal da Michael Page. Sem esquecer que os salários, de acordo com o levantamento da consultoria (ver tabela abaixo), estão entre os mais altos do mundo jurídico.

A remuneração reflete o momento: o reconhecimento do papel desse profissional no mercado avançou mais rápido que a sua formação e oferta – ainda restrita. Uma boa oportunidade. O aumento da demanda dos serviços da Michael Page para encontrar advogados de mercado de capitais e societário tem crescido, em média, 30%, em 2011 sobre o ano anterior, quando os quadros jurídicos já estavam recompostos depois da crise.

Leonardo Salgado, diretor e líder da prática de remuneração executiva para América do Sul do Hay Group, consultoria empresarial, ratifica as expectativas positivas para esse mercado profissional. O cenário econômico e empresarial brasileiro promete um crescimento na demanda principalmente por advogados sêniors, na área de societário, e a sua conseqüente valorização. “Mesmo com a crise de 2008, as empresas brasileiras, ainda com forte traço de gestão familiar, procuraram e continuam a procurar uma profissionalização”, afirma.

Nesta transição – de gestão familiar para uma profissional, em que há o preparo de terreno para o ingresso de novos investidores e uma futura abertura de capital (IPO – Initial Public Offering), o profissional jurídico conquistou um papel de destaque. De acordo com Salgado, no saneamento societário, o advogado sênior – que tem o preparo técnico-jurídico e também experiência em gestão e planejamento, é demandado para ocupar a posição de diretor jurídico ou gerente. “É diferente do trabalho prestado por um escritório externo que, normalmente, tem um olhar mais técnico das operações”.

O executivo-jurídico, com viés societário, conquistou seu espaço nas empresas e seu valor é reconhecido, superando o de advogados da área de contencioso ou um consultor, por exemplo. “O executivo-jurídico é o profissional que vai viabilizar as soluções. Vai dizer mais do que um sim ou não a uma proposta de operação e irá acompanhar o seu desenvolvimento. O preparo para essa função é diferenciado e o seu envolvimento com a empresa também. O aumento de remuneração para esse perfil é claro no mercado”, diz.

Quanto aos advogados de mercado de capitais, a tendência é que continuem a ser feitas operações com contratações de escritórios externos, por enquanto. “Como as empresas ainda trabalham com essas operações de forma pontual, o diretor financeiro é quem acaba por realizar as propostas e buscar as bancas externas para elaborá-las juridicamente”. De qualquer forma, também estão na mira de mais e mais empresas que querem utilizar as alternativas do mercado de capitais na obtenção de mais recursos.

Profissionais em alta

  Mercado de Capitais* Societário | M&A Imobiliário Tributário
Nível Pleno  R$ 6.000,00 a  R$ 6.000,00 a  R$ 5.000,00 a  R$ 5.500,00 a 
( 3 a 4 anos de formado) R$ 8.000,00 R$ 7.000,00 R$ 6.000,00 R$ 6.500,00
Nível Sênior ou Gerencial  R$ 10.000,00 a R$15.000,00 + bônus R$ 10.000,00 a R$ 16.000,00 + bônus R$ 10.000,00 a  R$ 9.000,00 a 
(a partir de 5 anos de formado)     R$ 15.000,00 + bônus R$ 14.000,00 + bônus
Sócios  R$ 30.000,00 a R$45.000,00 R$ 30.000,00 a R$ 45.000,00 R$ 30.000,00 a R$35.000,00 + bônus + referral fee R$ 25.000,00 + bônus + referral fee
(mínimo de 10 anos de experiência)  + bônus + referral fee + bônus + referral fee    
Diretores**  R$ 25.000,00 a  R$ 30.000,00 a R$ 45.000,00 + bônus R$ 20.000,00 a  R$ 20.000,00 a 
(mínimo de 10 anos de experiência) R$ 35.000,00 + bônus   R$ 25.000,00 + bônus R$ 25.000,00 + bônus

* Usualmente, este profissional é formado e desenvolvido em escritórios de advocacia.
** Vias de regra, Diretores Jurídicos tem uma visão geral do direito, porém dependendo do porte e momento da empresa acabam tendo determinados skills diferenciados. 

Fonte: Michael Page

 
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