Financiamento de carro atropela o bom senso
Quanto mais longo o prazo, pior o resultado para o bolso
Por Juliana Garçon em 03/07/2009
Poucos se arriscariam a cravar que o pior já passou. Mas alguns setores estão dando sinais nessa direção. É o caso dos bancos. Eles, que nos últimos três anos aumentaram a oferta de crédito a consumidores e empresas, puxaram o freio de mão diante da crise internacional. Nos últimos seis meses, emprestaram menos e apertaram os prazos. Agora, com mais fôlego, estão reabrindo as torneiras. E voltando a oferecer contratos de 72 prestações (seis anos) para a compra de carros novos.
As parcelas desses financiamentos ficam cerca de 10% menores do que as dos planos de 60 meses (cinco anos). As prestações encolhem e passam a caber no bolso. E o desejo de comprar um zero-quilômetro se acelera. Só que a empolgação atrapalha a análise.
Os carros se desvalorizam rapidamente. Ao sair da loja, já perdem aproximadamente 15% do valor. Em seis anos, têm apenas um quinto do valor inicial. Além disso, o preço final no financiamento é altíssimo. É fato que o juro no Brasil está no menor nível em vários anos. Mas ainda é alto se comparado ao de países onde o crédito financia o consumo. No acumulado de seis anos, faz um estrago e tanto.
Pense num carro de R$ 50.000. A entrada é de 20%, ou seja, R$ 10 mil à vista e R$ 40 mil, parcelados. O juro para esse tipo de empréstimo é de 1,6% ao mês (21% ao ano). Resulta em 72 parcelas de R$ 939,65.
Colocadas embaixo do colchão ao longo de 72 meses, essas parcelinhas somariam R$ 67.655. Investidas na conservadora poupança, resultariam em R$ 82.733,28. E, aplicadas à taxa de juro cobrada no empréstimo, resultam em R$ 125.430,94.
Só que, quando terminar de pagar, o comprador estará dirigindo um carro que vale R$ 10.000. Para trocar, tem de “se casar” com uma nova dívida. Uma barbeiragem. Seria melhor poupar e financiar o mínimo possível.
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