Glamour a um clique de distância
Oportunidades e armadilhas nos clubes de compras na internet
Por Juliana Garçon em 05/03/2010
Fiz umas comprinha$ pela internet, num “clube de compras”. Esse tipo de site, que já emplacou nos EUA e na Europa, está bombando por aqui também, apoiado na praticidade do varejo online (xô estacionamento lotado!) e na promessa de descontos irresistíveis.
De quebra, entre marcas mais ou menos conhecidas, sempre aparece alguma grife badalada em oferta nas vitrines virtuais.
Minha primeira comprinha, de maquiagem, já foi bem considerável. Fiquei encantada com a idéia de adquirir em ofertas, itens de uma grife francesa glamorosa. Na segunda – duas bolsas de uma marca norte-americana, igualmente charmosa –, gastei quase o dobro.
Daí, parei pra pensar. Afinal, costumo ser mais controlada. Foi um surto consumista? Estou viciada em compras pela internet? Ambas as compras foram pensadas, nada “à primeira vista”. Mas fiquei com a impressão de que exagerei, comprei mais do que o necessário.
Não é de se estranhar. Na internet, fazemos tudo com um clique. Gastar é muito fácil, rápido e tentador. O pior é que a satisfação da compra parece se evaporar mais rapidamente, talvez pela falta do que se chama por aí de “experiência de consumo”: o ambiente da loja e do shopping, com visual, cheiros e sons que associamos a bons momentos; o cafezinho que servem na boutique; a atenção de vendedores; as sacolas fofinhas; os embrulhos em papel de seda.
Além do mais, a idéia de adquirir itens de marcas famosas por preços mais baixos aguça tanto o fetiche pelas grifes quanto o gostinho de “levar vantagem”, pois sabemos que estamos desfilando objetos de desejo sem ter desembolsado tanto quanto os outros supõem.
Freqüentando os principais outlets virtuais em atuação no Brasil, concluí que eles são aquele tipo de coisa bacana, se usada com sabedoria, ou perigosa, se rolar descontrole. E pensei em alguns aspectos que devem ser considerados no uso desses serviços:
1 - A gente tem mais chances de tirar proveito de marcas e produtos que já conhece. Nas roupas, tamanho e caimento são problemáticos, mesmo nos sites em que podemos registrar nossas medidas. Nada como a prova do modelito na vida real. (Quase comprei uma sandália em liquidação, mas então, lembrei do motivo pelo qual não havia comprado na loja: uma tirinha machucava meu pé!) No caso de maquiagem, o monitor não reproduz cor e textura com perfeição.
2 - O Procon-SP ainda não registrou nenhuma reclamação relativa a clubes de compra na internet. Em buscas na internet, porém, dá para encontrar, principalmente sobre prazos de entrega. Para ver algumas, vá ao site www.reclameaqui.com.br
3 - Comércio na internet é uma área razoavelmente nova e, por isso, com fiscalização e regulamentação em desenvolvimento no País. Há iniciativas de normatização, como o Movimento Internet Segura, que promete defender os interesses de consumidores lesados por companhias a ele associadas. Nenhum dos clubes que visitei, porém, faz parte do instituto.
4 - E, finalmente, assim como dizem pra gente não ir com fome fazer compras no supermercado, site de compras não é muito adequado para os momentos de angústia e tristeza. Logo as mágoas vão embora, mas as faturas de cartão de crédito continuam chegando.
Links para os sites que visitei:
Links sobre direitos do consumidor:
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