Comportamento
Telégrafo moderno
Twitter é bom para tudo que rola no mundo das finanças. Mas, como na moda, às vezes menos é mais
Por Juliana Garçon
em 27/07/2009
Acabei de entrar no Twitter pensando nas minhas aplicações. Caso já saiba o que é o Twitter, pode pular o próximo parágrafo.
O Twitter (“tu-í-ter”) é uma rede social na internet, como o Orkut. Só que com páginas muito, muito, muito enxutas mesmo. Nada de fotos e depoimentos. Serve para mandar mensagens curtas: o texto pode ter, no máximo, 140 caracteres. (Até aqui, este parágrafo já tem o dobro disso!). Por isso, é super conveniente para atualizações frequentes. Muito frequentes mesmo, se quiser. Podem ser feitas até por SMS, mensagem via celular.
Ouço falar nele a toda hora – está bombando no mundo todo e, aqui no Brasil, comparável ao Orkut. Mas eu associava apenas a papos despretensiosos (“fui à balada e tava ótimo”) e ao desafio do ator Ashton Kutcher, que “ganhou” da CNN em “seguidores”.
Descobri que é ótimo para acompanhar as notícias e ter informações que ajudam a planejar os investimentos. As corretoras começaram a aderir. Elas postam notícias sobre o mercado – movimento das ações, trajetória do Ibovespa, fechamento da Bolsa, novidades das empresas – e também divulgam palestras e serviços. Até agora, achei duas.
A possibilidade de centralizar tantas informações numa página só da internet me empolgou. Mas daí, enquanto escrevia este texto, fiquei meio zonza com a quantidade de notícias que pulam.
Isso não é nada bom. Se por um lado a falta de informações é inimiga das decisões acertadas, o excesso de dados nos confunde. Na hora de aplicar o dinheiro, encontramos uma quantidade enorme de informações irrelevantes para as escolhas que temos de fazer: renda fixa ou variável; maior ou menor risco; comprar ou vender as minhas ações.
“Vale identificar, cuidadosamente, a qualidade do que você sabe”, recomenda a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, autora do livro “Decisões Econômicas – Você já parou para pensar?” (Editora Saraiva), que discute as cabeçadas prediletas de todos nós. Já vou diminuir o número de contatos no Twitter. Às vezes, menos é mais.
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