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O 1º passo a gente não esquece

Ninguém tem todas as respostas quando começa a poupar para a aposentadoria

Por Juliana Garçon em 21/08/2009

Vivemos uma transição. O avanço no mercado de trabalho dá saltos e produz efeitos que ainda não visualizamos bem. E, sem clareza em relação ao futuro, estamos marcando bobeira. A poupança para a aposentadoria é hábito de poucas das muitas moças independentes, plenas e absolutas que conheço.

Não é por falta de consciência. É resistência em lidar com um pacote de temas difíceis: envelhecimento, morte, controle orçamentário. E relutância em tomar decisões com poucas informações em mãos. Parece pedir demais fazer sacrifícios no presente – poupar implica gastar menos – se, afinal, quem sabe o que vai ser amanhã?

Bola de cristal, a gente sabe, não rola. Mas um artigo do economista Fabio Giambiagi, publicado na edição de 1º de junho do jornal "Valor Econômico", faz pensar sobre o que veremos daqui a uns 20 anos. Em 1994, de cada 100 pessoas que pediam aposentadoria por tempo de contribuição ao INSS, só 19 eram mulheres. Hoje, são 37 a cada 100 novas aposentadorias.

E as profissionais que estão se aposentando hoje trabalham há três décadas, pois o tempo mínimo de contribuição é de 30 anos para mulheres e 35 para homens. Refletem a realidade do mercado de trabalho do fim dos anos 70. Desde então, a participação feminina só fez crescer. O número de mulheres aposentadas, hoje em 1,1 milhão, aumentará muito.

Junte isso ao fato de que a expectativa de vida está subindo. Para nós, é de 83,1 anos hoje e deverá ser de 85,5 anos em 2030, abrindo a diferença em relação aos homens. Para eles, é de 79,8 anos atualmente e, em 2030, deve ser de só 81,5 anos.

A idade mínima para a mulher se aposentar pelo INSS é 50 anos. Provavelmente trabalharemos mais. Mas imagine só viver por 35 anos dependendo da previdência pública, cujas condições financeiras devem piorar nas próximas décadas.

Mulheres que vivem bem hoje sofrerão queda no padrão de vida, caso continuem imobilizadas. Se o que falta é um incentivo para entrar em ação, ouvi um bom recentemente: não é preciso ver o fim do caminho para dar o primeiro passo.


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