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Marcas de fraqueza

Grifemania indica problemas de auto-imagem

Por Juliana Garçon em 04/02/2010

“Gosto de usar sapatos poderosos nas reuniões, principalmente se for com colegas que tenho de confrontar”, confidenciou uma amiga. Executiva bem sucedida, ela faz muitas viagens internacionais. Na volta, a bagagem sempre está maior, graças a visitas a lojas famosas.

Ela não é a primeira nem única a apreciar grifes. Todos temos fetiches. O que chama a atenção é assumir que se calça nos sapatos “poderosos”, cujo fascínio se traduz em modelo e em marca.

Perguntei à psicanalista Vera Rita de Melo Ferreira, pesquisadora e professora de psicologia econômica, por que sentimos fascínio por marcas famosas, mesmo nos casos em que verificamos que a qualidade do produto não justifica o preço.  

“Somos emocionalmente frágeis, precários e limitados. E vulneráveis à consciência desta condição. Mas, se essa percepção se torna muito aguda, passa a atrapalhar a pessoa em diversas situações, como falar em público”, explicou a professora. Daí, as marcas famosas viram muletas. “O poder da grife está na sensação de que, ao comprar o produto, adquirimos também os atributos que ela busca projetar – sofisticação, sensualidade ou esportividade, por exemplo.”

Perfumes, bolsas, roupas, maquiagem e produtos de cuidado pessoal fazem brilhar os olhos das consumidoras. Os homens costumam se agitar mais com carros e itens tecnológicos. “O marketing atinge o calcanhar-de-aquiles de cada um, pois todos enfrentamos pressões sociais”, diz Vera Rita. “E quanto mais confortável a pessoa está na própria pele, menos precisa de grifes.”

Por isso, ela recomenda a grifemaníacos que reflitam sobre o papel que os itens de marca famosa estão desempenhando em sua vida. “Cobrir-se de etiquetas famosas é como fantasiar-se. Fica patético.”

Mas não é preciso abdicar totalmente de objetos de desejo. “Se você pensa num produto como algo para se tornar especial, que tal deixar isso para ocasiões especiais? A gente pode se manter na realidade no dia-a-dia. E, às vezes, optar por algo que dá esse tipo de prazer.”



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