Querer X Precisar
Pratique a “arte” de se perguntar se realmente precisa antes de comprar qualquer coisa
Por Cássia D'Aquino* em 11/04/2011
O modo como um adulto lida com o dinheiro tem raízes profundas na maneira como foi educado pensar sobre o assunto. No entanto, apenas uma parte do processo de se educar os filhos para lidar de maneira saudável com as finanças exige o trato direto e específico de dinheiro, propriamente. No mais das vezes, a educação financeira vai se consolidando, para o bem ou para o mal, por caminhos que nem se adivinha que levem ao assunto.
Um dos exemplos claros dessa situação é o uso que se faz em casa das expressões “querer” e “precisar”. Muito da habilidade em lidar com as finanças, tanto na infância quanto na vida adulta, depende de sermos capazes de diferenciar o que “eu quero” do que eu "preciso”.
Gastar em coisas que queremos é ótimo, divertido e saudável. Mas deve ser parte fundamental da educação financeira das crias levá-las a perceber que na vida as necessidades é que devem ser satisfeitas em primeiro lugar.
Meu conselho é que os adultos permaneçam atentos ao que dizem às crianças, tentando aperceber-se, no cotidiano, se estão usando as palavras certas com a intenção e sentido corretos. Afinal, a maneira como usamos querer e precisar envia aos herdeiros mensagens sobre o nosso sistema de valores.
À medida que os filhos vão crescendo, e sua compreensão do mundo se expandindo, as definições de querer e precisar ganham complexidade. Eles passam a perceber que o que é necessidade para alguém pode ser apenas vontade para outro. E vice-versa.
Até lá, da próxima vez que seu filho disser que “precisa” desesperadamente daquele tênis novo, lembre-se de perguntar se ele realmente precisa (o outro está pequeno, rasgado, etc) ou se apenas quer, negociando a compra dentro desta nova perspectiva. E acostume-se, você mesmo, a fazer-se essa pergunta a cada impulso de compra. Seu orçamento e a educação financeira dos seus filhotes agradecem.
* Cássia D'Aquino é especialista em educação financeira.
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