Ver para crer
Transparência é a tendência das empresas que têm ações na Bolsa
Por Juliana Garçon em 26/02/2010
Como sócia de uma empresa – seja de qualquer tamanho ou setor –, você quer saber o que se passa nela. E exige que seus direitos sejam respeitados, ainda que tenha só uma pequena participação.
Mas, na prática, como garantir que as coisas serão mesmo assim?
Bem, essa é uma vantagem das empresas que têm ações negociadas na Bolsa. Elas têm de atender a uma série de exigências nos procedimentos administrativos e na demonstração de contas.
Além do mais, as companhias listadas na BM&FBOVESPA são classificadas em segmentos – mercado tradicional, Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado – conforme o segmento da governança corporativa.
Trata-se de um sistema de direção e monitoramento das empresas. As práticas de governança corporativa significam comprometimento com os direitos dos acionistas minoritários e com a transparência em decisões da diretoria e da administração, o que abrange exigência de auditorias independentes e atuação de um conselho de administração formado por maioria de independentes.
A adoção das melhores práticas de governança corporativa é uma tendência global. A aposta é que, ao ampliar a confiabilidade do negócio, ela atrairá mais acionistas, ou seja, será melhor avaliada pelos investidores, aumentando o seu valor de mercado. Também terá mais acesso a crédito – em bancos ou no mercado de capitais. Enfim, o processo contribuirá com o crescimento dessa empresa.
“Os princípios de governança surgiram para minimizar os conflitos entre os interesses dos acionistas, que querem o maior dividendo possível, e os dos executivos das empresas, que perseguem os maiores bônus”, explica Luiz Calado, vice-presidente da Ibef (Instituto Brasileiro dos Executivos Financeiros).
O nível mais alto de governança corporativa na bolsa brasileira é o Novo Mercado. Abaixo dele está o Nível 2. O Nível 1 é o degrau seguinte e está logo acima do mercado tradicional.
No Novo Mercado, as empresas só podem ter um tipo de ação, a ordinária (ON), o que significa que todos os acionistas são tratados da mesma forma. Fora dele, a companhia pode dividir seu capital entre ações ordinárias, que dão direito a voto, e preferenciais (PN), que têm prioridade no recebimento de dividendos.
Outra regra do Novo Mercado é a concessão de tag along, mecanismo que determina que, caso a empresa seja adquirida por outra, o ganho da operação é dividido entre os acionistas majoritários e os minoritários. “No Brasil, o principal diferencial das empresas de maior governança corporativa é garantir os direitos dos minoritários em relação aos controladores”, diz Calado.
Veja mais detalhes sobre as características de cada segmento da Governança Corporativa.
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