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Respeito é bom e cada vez mais gente gosta

Ofertas de 2010 mostram maior adesão à governança corporativa

Por Juliana Garçon em 31/08/2010

Respeito aos direitos do acionista minoritário é bom e a gente gosta. Aliás, mais e mais gente está gostando. No primeiro semestre deste ano, foram realizadas 15 ofertas de ações. Apenas uma foi fora do Novo Mercado, o nível mais alto de governança corporativa na bolsa brasileira. Trata-se de um compromisso com práticas de gestão modernas e transparentes, que incluem regras favoráveis a quem investe em papéis da companhia.

Pois bem, os números acima significam que 93% das emissões aconteceram no Novo Mercado, um avanço sobre 2009, quando a parcela foi de 83%. (De janeiro a dezembro, aconteceram 24 emissões, sendo quatro fora do Novo Mercado. O levantamento está no boletim de agosto da Anbima.). As emissões que acontecerão ainda neste ano podem mudar o índice de adesão ao Novo Mercado. Mas as indicações são de que a tendência chegou para ficar.

Veja só: a crescente adesão vai além do número de ofertas de ações. Ela fica ainda mais visível quando se observam as cifras das operações. Em 2009, as 25 emissões somaram R$ 47 bilhões, do quais R$ 30,5 bilhões (64% do total) foram para as ofertas realizadas no Novo Mercado. Neste ano, até junho, as emissões totalizaram R$ 24,311 bilhões, sendo R$ 24,138 bilhões (99,3%) no Novo Mercado.

Os números parecem auspiciosos no cenário atual: está em curso uma reforma do Novo Mercado. As propostas, apresentadas em julho pela BM&FBOVESPA, serão votadas até o dia 8 de setembro pelas empresas listadas no segmento, hoje em número de 105.

Uma das idéias é estabelecer a obrigatoriedade de oferta pública de aquisição de ações (OPA) caso um dos sócios chegue a acumular 30% do capital da companhia. Há outras propostas, que se estendem ao Nível 1 e ao Nível 2, como aumento do percentual de conselheiros independentes, obrigatoriedade de comitê de auditoria e divulgação de política de negociação de valores mobiliários (títulos, ações etc).

O mais legal é que as empresas deverão se manifestar publicamente. É uma a oportunidade de aprender sobre as diretrizes de governança corporativa e o que as companhias têm a dizer sobre elas. E, se for o caso, repensar as escolhas de empresas para investir.


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