Minha Bolsa
Nova era
Em época de juros em queda, você precisa redobrar sua atenção
Por Fatima Lopes, editora do Mulheres em Ação
O que era um discurso político de décadas – a necessidade de os juros brasileiros, dos mais altos do mundo, serem reduzidos consistentemente – parece que evolui rapidamente para a prática. Ao modificar as regras de remuneração da caderneta de poupança, o governo abre caminho para essa queda nos juros. A mudança é mais profunda do que se imagina. Principalmente para o investidor, que não tem mais a certeza de remuneração de seus investimentos em patamares altos, independentemente de onde eles estejam. A partir de agora, retornos mais altos necessariamente estarão atrelados a riscos maiores, dizem os especialistas. E é por isso que você precisa ficar atenta na hora de decidir onde colocar seu dinheiro.
O mercado de renda fixa é dos mais atingidos, particularmente os papéis atrelados à taxa Selic. “Está acabando o tempo de aplicar na renda fixa e esquecer. O cenário de juro mais baixo vai exigir do investidor mais informação, leitura e conhecimento dos demais produtos financeiros do mercado”, disse o consultor financeiro Mauro Calil em entrevistas recentes. Outro detalhe para focar a atenção são as taxas de administração cobradas pelos gestores dos fundos. Alguns especialistas, como o professor da USP Rafael Paschoarelli, dizem que só os fundos com taxa de administração inferior a 1% ao ano seriam atraentes, na comparação com as aplicações em caderneta de poupança, ao menos em caso de resgates feitos antes de seis meses de aplicação.
Além disso, é preciso ter sempre em mente a finalidade dos recursos aplicados. Se o objetivo é de curto prazo, coisa como reserva para emergências, é melhor que o dinheiro fique mesmo em aplicações mais conservadoras, embora menos rentáveis, diz o planejador financeiro Valter Police. Diferente de uma necessidade de mais longo prazo, voltada a atingir mais rentabilidade, quando então é interessante diversificar as aplicações.
Seja qual for o caminho, no entanto, em uma coisa os entendidos são unânimes: na hora de investir é preciso conhecer muito bem não só os mercados e os produtos oferecidos mas principalmente seu perfil financeiro e de investimento e a destinação de suas economias.
O conteúdo do site Mulheres em Ação não representa a opinião da BM&FBOVESPA
nem deve ser interpretado como recomendação da compra ou venda de ativos.