Quando as tentações não são caras
Barrar ou ceder? O importante é ensinar os filhos
Por Cássia D'Aquino em 25/04/2011
Muito embora possa ser doloroso, não é raro que, no cotidiano familiar, os pais se vejam obrigados a barrar os consumos que
estejam acima dos limites orçamentários.
A percepção clara e sensata de que não há dinheiro para a compra
de um brinquedo mais caro ou para uma viagem especial é algo com
o que a maior parte das famílias se vê obrigada a lidar de vez
em quando.
Mas as coisas mudam de figura quando o consumo em questão é de
alguma coisa bem baratinha. Nesses casos, seja por não estarem
atentos ao recado que enviam à prole, seja para evitar as cenas
clássicas de birras públicas, os pais cedem sem nem pensar duas
vezes.
Vários problemas rondam essas rendições imediatas. O primeiro
é que, ao ceder tão facilmente aos apelos das crias exclusivamente
por causa do preço, os pais abrem mão de ensinar seus filhotes
que o custo não é o único fator a ser considerado na hora do consumo.
Avaliar a qualidade do produto e ponderar sobre a pertinência
do gasto - não importa se diminuto - são aspectos importantes
que devem sempre ser considerados.
Além disso, cedendo sem pestanejar (“mas é tão barato!”) os pais
preparam terreno para exigências de valor crescente. Afinal, se
a criança se habitua a ver seus pedidos sempre atendidos, dá para
imaginar a confusão que será convencê-la a lidar com um “não”
mais tarde.
Para evitar que isso aconteça é prudente que os pais se acostumem
a exercitar o tempo de espera dos filhos. Para as crianças ainda
muito pequenas, que pedem, digamos, um chocolate, funciona bem
alguma coisa assim: “Aqui está o seu chocolate. Mas você não vai
comê-lo já. Vai esperar 30 minutos.” (Quanto menor a criança,
menor o tempo de espera).
Para ajudar os pequenos a visualizar a espera, tornando-a, assim,
suportável, basta mostrar o movimento que os ponteiros do relógio
terão que fazer para que chegue o momento esperado. “Quando o
ponteiro grande estiver em cima do número três você poderá comer
o chocolate”. É simplesmente extraordinário como as crianças são
fascinadas por esses jogos de espera.
De quebra, esses momentos preparam as crias para que venham,
um dia, a atingir a maturidade financeira, que não é outra coisa
senão a capacidade de suportar o adiamento dos desejos atuais
em função de futuros benefícios.
* Cássia D'Aquino é especialista em educação financeira
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